Sírios deixam cidade rebelde para escapar de ação militar

Tanques invandem cidade uma semana depois que multidão tomou as ruas exigindo o fim do regime de Assad

Reuters,

14 de junho de 2011 | 20h07

AMÃ - Milhares de sírios deixaram a cidade histórica de Maarat Al-Numaan na terça-feira, 14, para escapar das forças do governo que invadiram com tanques a parte norte do país em uma campanha militar para reprimir os protestos contra o presidente Bashar al-Assad.

Na região tribal a leste, onde todos os 380 mil barris de petróleo da Síria são produzidos, tanques e veículos blindados chegaram à cidade de Deir Al-Zor e em Albu Kamal, na fronteira com o Irã, uma semana depois que milhares de pessoas tomaram as ruas exigindo o fim do regime autocrático de Assad.

"O Exército está vindo, encontre um lugar seguro para você mesmo e para a sua família!", diziam os alto-falantes em uma mesquita em Maarat Al-Numaan, cidade de 100 mil habitantes atravessada pela estrada principal que liga Damasco à segunda maior cidade síria, Aleppo.

Moradores correram para Aleppo e para os vilarejos no deserto a leste, enquanto outros foram para a vizinha Turquia, destino de mais de 8,5 mil sírios.

Eles procuram abrigo além da fronteira para escapar da última onda de repressão de Assad contra os protestos que exigem mais liberdades em um país dominado pela família Assad, da etnia minoritária da Síria Alawite, nos últimos 41 anos. A maioria dos sírios é muçulmana sunita.

Cerca de 70 por cento dos moradores de Maarat al-Numaan deixaram a cidade, disse à Reuters por telefone Othman al-Bedeiwi, professor de farmácia. Ele acrescentou que helicópteros, que também abriram fogo contra manifestantes na sexta-feira, transportaram tropas para um campo em Wadi Al-Deif, a vários quilômetros da cidade.

"Nós encontramos o governador (da província) hoje (terça-feira) e ele nos garantiu que o Exército vai apenas entrar na cidade para prender 360 pessoas que tem em sua lista", disse. "As pessoas em Maarat, contudo, estão céticas. Meu nome está naquela lista que diz que sou um pistoleiro. Eu nunca usei uma arma em minha vida."

A Síria baniu a maior parte dos correspondentes estrangeiros desde o início do levante, tornando difícil a verificação independente dos fatos.

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