Sírios e sauditas prometem cooperação para estabilizar Líbano

A Síria e a Arábia Saudita prometeram nesta quinta-feira trabalhar pela estabilização do Líbano, e o governo sírio alertou os Estados Unidos para não interferirem na visita do rei saudita, Abdullah, a Damasco.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

29 de julho de 2010 | 18h08

O monarca se reuniu com o presidente Bashar al Assad, e na sexta-feira ambos viajarão a Beirute, num esforço para acalmar tensões decorrentes do funcionamento de um tribunal para julgar suspeitos pelo assassinato, em 2005, do estadista libanês Rafik al Hariri.

Uma nota oficial disse que os dois governantes "afirmaram que se importam em apoiar a concórdia no Líbano, e apoiam tudo que contribua para a sua estabilidade e unidade."

Os Estados Unidos disseram esperar que a rival Síria tenha uma atitude construtiva na região e reaja às preocupações em torno do programa nuclear iraniano que, segundo o Departamento de Estado norte-americano, são compartilhadas por Abdullah.

"O rei Abdullah tem desempenhado um papel significativo de liderança na região. Então sua viagem à Síria e ao Líbano é consistente com sua busca pela paz", disse o porta-voz Philip Crowley.

O governo sírio alertou contra a interferência norte-americana e disse que Síria e Líbano "sabem melhor" como estabilizar o Oriente Médio.

As relações entre EUA e Síria melhoraram muito desde a posse do presidente Barack Obama, em 2009, mas ainda há diferenças expressivas, especialmente a forte relação da Síria com o Irã e o apoio desses dois países ao grupo xiita Hezbollah, que participa da coalizão libanesa de governo, além de ser uma guerrilha.

"A declaração síria parece expressar uma preferência em Damasco por não focar a questão iraniana novamente durante a visita do rei Abdullah", disse uma fonte síria.

O Irã, rival da Arábia Saudita, foi o foco da visita de Abdullah a Damasco no ano passado, segundo diplomatas. A visita ajudou a reparar as relações --deterioradas desde o assassinato de Hariri-- entre a Arábia Saudita, uma potência regional, e a Síria.

O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, critica repetidamente o tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU), que começou a funcionar no ano passado, sem ainda indiciar ninguém pela morte de Hariri, um político pró-ocidental.

Há suspeitas envolvendo agências de inteligência sírias e libanesas. A Síria nega qualquer participação no crime.

Para Nasrallah, o tribunal da ONU, que tem sede em Haia, é um "projeto israelense." Ele disse ter informações de que membros do Hezbollah serão indiciados pelo assassinato de Hariri.

O analista sírio Thabet Salem disse que o indiciamento de membros do Hezbollah pode reavivar a violência entre sunitas e xiitas libaneses, numa escala que seria maior do que os confrontos de dois anos atrás.

"A Arábia Saudita não quer ver Hariri (Saad Hariri, atual primeiro-ministro, filho do político assassinado) ser derrubado, e a Síria está demonstrando que não vai poupar qualquer esforço para evitar a instabilidade no Líbano, daí a possível viagem do presidente Assad com Abdullah a Beirute."

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