Situação humanitária em Gaza é desastrosa, diz oficial da ONU

Faltam medicamentos e instrumentos em hospitais de Gaza, dizem médicos

Redação com agências internacionais,

29 Dezembro 2008 | 10h43

A incursão israelense em Gaza criou uma crise humanitária na região, que já estava em situação crítica, afirmou o oficial da ONU Christopher Gunness à CNN. "A situação está absolutamente desastrosa", disse ele. Gunness disse que a agência que cuida de refugiados palestinos tem dificuldade de fornecer ajuda médica há mais de um ano por causa do bloqueio israelense.  Veja também:Israel ataca de novo e prepara invasão de Gaza; total de mortos vai a 307Ministro israelense defende 'guerra sem trégua' Líder do Hamas está disposto a assinar cessar-fogo em GazaPalestinos suspendem negociação de paz durante incursãoGrupo iraniano registra voluntários para lutar contra IsraelObama acompanha ataques, mas não se pronuncia Conheça a história do conflito entre Israel e palestinosItamaraty condena 'reação desproporcional' de Israel "Uma longa lista de medicamentos que os Estados Unidos consideram padrão em qualquer hospital está em falta em Gaza. Estamos dispensando pessoas atingidas pelos ataques por falta de estrutura". O diretor do programa de saúde mental de Gaza Eyad El Gaza disse que haverá um grande desastre humanitário, caso os ataques não terminem logo. Ele descreveu que pessoas correm para os porões enquanto as bombas são lançadas. "As crianças estão desesperadas e os adultos são incapazes de dar segurança e conforto, neste momento", afirmou. Os hospitais estão além do limite. O médico apontou falta nos estoques de sangue e em equipamentos cirúrgicos.  "Pessoas estão sofrendo e morrendo por causa da falta de equipamento médico", disse o médico Mahmoud el-Khazndar, que trabalha no hospital Shifa, em Gaza. "Nós não estamos prontos para receber feridos em massa desta forma", disse.  População oprimida Palestinos violaram a cerca que marca a fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito em diversos pontos e centenas cruzaram para solo egípcio, levando guardas e fronteira a abrir fogo, disseram autoridades e testemunhas dos dois lados da fronteira.  Um oficial das forças de segurança egípcias disse que houve pelo menos quatro brechas abertas ao longo dos 14 km da cerca, e que centenas de moradores de Gaza passaram por esse locais. O rompimento da fronteira veio pouco depois de aviões israelenses bombardearem os túneis de contrabando que passam por baixo da fronteira, e que são vitais para a sobrevivência do grupo extremista Hamas no território. os bombardeios são uma reação aos mísseis lançados pelo Hamas, a partir de Gaza, contra Israel. Pelo menos 300 guardas egípcios foram levados ao local para voltar a lacrar a fronteira.  Uma testemunha no lado de Gaza da fronteira, Fida Kishta, disse que os moradores detonaram uma mina terrestre na fronteira, e seqüestraram uma escavadeira para criar mais brechas. "Houve uma grande explosão e, então, vimos a fumaça e as pessoas começaram a correr para o Egito, às centenas. Todo mundo está começando a cruzar", disse ela. O representante egípcio disse que o muro entre Gaza e Egito, no bairro de Barahneh, foi derrubado durante o ataque aéreo e na explosão de um tanque de combustível, que se seguiu ao bombardeio "Centenas de mulheres, crianças e homens passaram pela brecha", disse ele, acrescentando que tiros foram dados para o ar nos dois lados da linha. Palestinos jogaram pedras nos soldados egípcios.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.