Sob ceticismo, Bush pressiona por paz no Oriente Médio

Presidente americano visita Jerusalém e se encontra com líderes israelenese e palestinos

MATT S, REUTERS

09 de janeiro de 2008 | 19h36

Em sua primeira visita a Jerusalémcomo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush pressionouna quarta-feira os líderes palestino e israelense aaproveitarem um momento que ele qualificou como histórico paraque façam concessões difíceis para obter a paz. Muitos duvidam que Bush consiga cumprir sua promessa de queo Estado palestino seja criado ainda durante seu mandato, quetermina dentro de um ano. Ele foi vago a respeito dos acordosque antevê -- embora tenha dito ao primeiro-ministro EhudOlmert que Israel deveria destruir os postos avançadosconstruídos por colonos judeus na Cisjordânia. Bush disse que cabe a palestinos e israelenses resolversuas diferenças, mas que o governo dos EUA está disposto aajudar. Não há expectativa de acordos importantes nestes três diasde discussões em Jerusalém, mas Bush tentou dar mostras daseriedade do seu compromisso em resolver um conflito que searrasta há 60 anos. Em novembro, em Annapolis (EUA), palestinose israelenses aceitaram retomar o processo de paz. Acusado durante anos de negligenciar o conflito, Bushpercorreu o tapete vermelho do aeroporto Ben Gurion, em TelAviv, e disse: "Vemos uma nova oportunidade para a paz aqui naTerra Santa e de liberdade em toda a região". Falou também em garantir a segurança de Israel "como umEstado judeu". Os palestinos se recusam a reconhecer o paíscomo tal, alegando que isso seria abrir mão do direito doretorno dos seus refugiados ao território que hoje pertence aIsrael. Na quinta-feira, Bush encontra o presidente palestino,Mahmoud Abbas, em Ramallah, cidade da Cisjordânia perto deJerusalém. "Ambos os líderes estão determinados a fazer as escolhasdifíceis necessárias", disse Bush após se reunir durante quasetrês horas com Olmert em Jerusalém. "É uma oportunidadehistórica de trabalhar pela paz. Eu não estaria aqui em pé senão acreditasse que o senhor, sr. primeiro-ministro, e o sr.Abbas são sérios." Ele disse que sua visita por si só já é "uma cutucada muitosignificativa", que levou Abbas e Olmert a decidirem finalmentena terça-feira iniciar as negociações sobre as "questõescentrais" do conflito. Mas os dois líderes estão politicamente enfraquecidos, eanalistas vêem poucas chances de um acordo que leve à criaçãodo Estado palestino. Há dúvidas também sobre se Bush seria ummediador equilibrado, já que os EUA são aliados incondicionaisde Israel. Os palestinos dizem que a recusa de Israel em suspender aexpansão dos assentamentos na Cisjordânia já é um sinal demá-fé. Bush disse na semana passada que essas obras são um"impedimento" à paz, e na quarta-feira afirmou que os postosavançados -- construídos pelos colonos sem autorização dogoverno -- "deveriam ir embora". O Irã também foi um tema constante no início desta semanade visita de Bush ao Oriente Médio. Comentando um incidentenaval do fim de semana no golfo Pérsico, o presidente alertouTeerã para as "sérias consequências" desse tipo de ação. "O Irã é uma ameaça à paz mundial", disse Bush, renovando oapelo por pressão internacional contra o programa nuclear.

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