Sob pressão dos EUA por Afeganistão, Otan busca manter unidade

A Organização do Tratado doAtlântico Norte (Otan) esforça-se para manter o consenso arespeito da guerra no Afeganistão depois de os Estados Unidosterem afirmado que alguns membros da aliança não estariamdispostos a permitir que seus soldados "lutassem e morressem"em nome da vitória. Em uma visita às tropas da linha de frente no Afeganistão,a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice,manteve a pressão sobre os aliados relutantes em compartilhar ofardo dos combates. Uma primeira rodada de negociação dos ministros da Defesados países-membros da Otan, realizada em Vilnius (capital daLituânia), não resultou em ofertas oficiais a respeito do enviode mais tropas. Um porta-voz do governo francês, no entanto, disse que opaís considera o envio de um novo contingente para oAfeganistão. "Francamente, espero que mais países contribuam comsoldados já que precisamos de mais soldados no Afeganistão",afirmou Rice na quinta-feira a repórteres que a acompanharam navisita, realizada ao lado do secretário britânico das RelaçõesExteriores, David Miliband. O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, falouabertamente sobre a preocupação de seu país a respeito da Otan,quando disse, na quarta-feira, que a aliança poderia dividir-seentre os países que estão dispostos "a lutar e a morrer paragarantir a segurança da população e os que não estãodispostos". O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer,reconheceu ser necessário enviar mais soldados para combater acrescente onda de violência alimentada pelo Taliban e pela AlQaeda. Mas rebateu os temores de Gates sobre a Otan transformar-seem uma "aliança de dupla face" devido às divergências surgidasem torno da mobilização de tropas. "Eu não identifico uma aliança de dupla face. Há apenas umaaliança", disse de Hoop Scheffer a repórteres quandodesembarcou em Vilnius, onde Gates reúne-se com outrosministros da Defesa de integrantes da Otan. Rice contestou relatórios de agências independentes segundoas quais o Afeganistão corria o risco de tornar-se um Estadofalido e disse que "um progresso notável" havia sido realizado.Afirmou, porém, que a guerra não terminaria logo. "Essa é uma guerra demorada porque os terroristas não serãoderrotados facilmente", afirmou. A Isaf, a força da Otan no Afeganistão, mantém cerca de 43mil soldados no país. O Canadá, a Grã-Bretanha, os EUA e a Holanda respondem pelamaior parte dos militares envolvidos nos combates travados nosul afegão. E desejam que outros países contribuam mais comaquela que se tornou a batalha mais dura enfrentada pela Otanem seus 59 anos de história.

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