Mohammad Shoib/Reuters
Mohammad Shoib/Reuters

Soldado afegão mata dois militares da Otan em protestos

Presidente americano se desculpou, em carta, por queima do Alcorão em base da aliança no país

MIRWAIS HAROONI E AMIE FERRIS-ROTMAN, REUTERS

23 de fevereiro de 2012 | 12h26

Texto atualizado às 12h54

 

CABUL - Um soldado afegão que participava de protestos nesta quinta-feira, 23, contra a queima de cópias do Alcorão em uma base da Otan matou a tiros dois soldados estrangeiros, disseram fontes militares ocidentais, enquanto o Taleban insta as forças de segurança a apontar suas armas para os estrangeiros. Os protestos contra a queima de cópias do livro mais sagrado do Islã levaram milhares de afegãos enfurecidos para as ruas, gritando "Morte à América!" pelo terceiro dia consecutivo, em uma violência que já deixou 11 mortos e muitos feridos.

 

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O Taleban pediu aos afegãos que alvejassem bases militares estrangeiras e matassem ocidentais em retaliação pela queima do Alcorão na base aérea de Bagram, na terça-feira, mais tarde direcionando seu pedido para as forças de segurança, pedindo a elas que "apontem suas armas contra os invasores estrangeiros infiéis", dizia seu site, Shahamat.

Em um protesto na quinta-feira na província de Nangarhar, no leste do país, um soldado afegão apontou a arma contra soldados da Otan, disseram autoridades e fontes militares ocidentais. Um porta-voz da província disse que o soldado fugiu. A Otan confirmou que um homem em uniforme do Exército afegão matou dois de seus soldados no leste, mas não quis dizer se o incidente tinha relação com os protestos.

A queima do Alcorão na vasta base de Bagram, ao norte de Cabul, que os Estados Unidos disseram não ter sido intencional, pode dificultar ainda mais que as forças da Otan lideradas pelos EUA ganhem a confiança dos afegãos e tragam o Taleban para a mesa de negociação antes da retirada das tropas de combate estrangeiras do país, o que deve acontecer até o final de 2014.

Os muçulmanos consideram o Alcorão a palavra literal de Deus e tratam o livro com profunda reverência. Sua profanação é considerada uma das piores formas de blasfêmia. Mais problemas são esperados na sexta-feira, quando os fiéis se reúnem para orações.

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