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Soldados de Israel usam camisa com agressão a palestinos

Uma das estampas mostra grávida na mira de fuzil com frase: '1 tiro, 2 mortos'; Exército promete ação disciplinar

Efe e Associated Press,

23 de março de 2009 | 12h49

Blusas com agressões a palestinos viraram moda entre os soldados israelenses. As camisetas, encomendadas pelos soldados para celebrar o fim do treinamento básico e outros cursos militares, foram vestidas por recrutas de diferentes unidades, informou o jornal Haaretz no fim de semana. O Exército israelense condenou o uso de camisetas por parte de seus soldados reproduzindo cenas de abusos contra palestinos.

 

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A publicação cita fontes de uma confecção do sul de Tel Aviv, que disse estar sendo muito procurada por militares que pedem camisas com estampas e frases em que os palestinos são atacados. A estampa de uma das camisetas mostrava uma criança na mira de uma arma com a frase: "Quanto menores eles são, mais difíceis ficam". Outra mostrava uma mulher grávida na mira de um fuzil com a inscrição: "1 Tiro, 2 Mortos". Outras estampas mostram um soldado explodindo uma mesquita e mulheres palestinas chorando sobre um túmulo. O diário afirma que elas não foram produzidas nem autorizadas pelo Exército

 

As imagens mais pedidas mostram crianças mortas, mães chorando sobre os túmulos de seus filhos e mesquitas destruídas por bombas. Em declarações ao jornal, um soldado da infantaria conta que os oficiais algumas vezes aprovam as impressões, mas que "nem sempre" podem escolher as frases e as imagens.

 

A Adiv, empresa que produziu as camisetas, recusou-se a comentar o assunto. As camisetas "não estão de acordo com os valores das Forças de Defesa de Israel e são de mau gosto", diz um comunicado do Exército. "Esse tipo de humor é indecoroso e deve ser condenado". O comunicado informa ainda que os soldados flagrados com a camiseta estarão sujeitos a ações disciplinares.

 

Este é segundo escândalo em que o Exército israelense se envolve esta semana, já que na quinta-feira a imprensa publicou testemunhos de soldados que garantiram ter matado civis e cometido atos de vandalismo na ofensiva militar de dezembro e janeiro contra a Faixa de Gaza. Após a publicação dos relatos, o Exército israelense anunciou a abertura de uma investigação.

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