Soldados líbios deixam a fronteira, e Egito abre hospital

Guardas líbios abandonaram os postos na fronteira com o Egito, cujos militares montaram dois hospitais de campanha na região fronteiriça, disse o Exército egípcio na segunda-feira pela sua página do Facebook.

EMAD OMAR, REUTERS

21 de fevereiro de 2011 | 20h31

O Exército disse ter instalado acampamentos e hospitais perto do posto fronteiriço de Salum, a fim de atender egípcios que regressem da Líbia, onde há violenta repressão a manifestantes antigoverno.

A agência estatal egípcia de notícias disse que 4.000 cidadãos do país já cruzaram a fronteira, e que muitos outros não conseguem regressar devido à escassez de veículos e combustível. Em tempos normais, muitos egípcios buscam emprego na vizinha Líbia, país com grande produção de petróleo.

Os protestos contra o líder Muammar Gaddafi começaram no leste da Líbia, e na segunda-feira se espalharam para Trípoli, a capital.

Aparentemente, os manifestantes assumiram o controle de várias cidades no leste do país, região que faz fronteira com o Egito. O Supremo Conselho das Forças Armadas egípcias disse que "membros da guarda fronteiriça líbia abandonaram, e (o posto de fronteira) está atualmente sob controle dos comitês populares".

A nota disse que não ficou claro se os grupos que controlavam a fronteira são leais ou contrários a Gaddafi.

O Exército disse também que o Egito enviará aviões à Líbia para retirar seus cidadãos assim que a situação se normalizar. O chanceler egípcio, Ahmed Aboul Gheit, pediu a Trípoli que libere seu espaço aéreo para esse resgate.

Num discurso feito pela TV, um filho de Gaddafi, Saif al-Islam Gaddafi, sugeriu envolvimento egípcio na rebelião líbia. O governo egípcio disse à agência estatal de notícias que não há "base clara" para tal acusação, e que o governo líbio precisa se responsabilizar pelas vidas e pelo patrimônio de egípcios na Líbia.

A revolta popular na Líbia é inspirada nas ondas de manifestações que recentemente derrubaram ditaduras nos vizinhos Tunísia e Egito.

(Reportagem adicional de Tom Perry)

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