Soldados se recusam a lutar em favela iraquiana após ataque

Militantes abandonam posições em favela após ofensiva do Exército Mahdi; duas pessoas morreram no confronto

Agência Estado e Associated Press,

18 de abril de 2008 | 09h56

Um grupo de soldados iraquianos teve de abandonar suas posições em Cidade Sadr após sofrer um ataque de milicianos xiitas, nesta sexta-feira, 18. A polícia informou que os rebeldes se aproveitaram de uma tempestade de areia para a ação. Um comandante da polícia, falando sob condição de anonimato, afirmou que houve duas mortes nos confrontos - não estava claro se havia soldados ou civis entre as vítimas. O governo informou recentemente que, no último mês, 1.300 soldados e policiais iraquianos desertaram ou se recusaram a lutar. O motivo é a investida realizada pelas tropas oficiais na região de Basra, sul do país, contra milícia xiitas - a resistência dos rebeldes tem sido maior que a esperada. O fracasso das tropas oficiais na tentativa de tomar controle de Basra foi um fracasso para Maliki, que ordenou a ofensiva. A ação gerou sérias dúvidas sobre a disciplina e o moral das tropas iraquianas. Segundo o policial, o confronto, que ocorreu durante a madrugada de sexta-feira, foi iniciado por membros da milícia Exército Mahdi. O grupo é comandado pelo clérigo xiita antiamericano Muqtada al-Sadr. Cidade Sadr é uma favela xiita onde vivem 2,5 milhões de pessoas, localizado na capital do país, Bagdá. A companhia responsável pela área abandonou a área, inclusive um posto de comando, segundo o policial. Não foi informado o número de forças oficiais envolvidas em operações na área. As tropas norte-americanas responderam ao ataque com artilharia, mas não houve ataques aéreos. Na noite desta quinta-feira, Bagdá sofreu com uma das piores tempestades de areia dos últimos meses A visibilidade ficou bastante reduzida e o aeroporto internacional foi fechado. Também nesta sexta-feira, o Exército Mahdi pediu às tropas do governo que desertem e descreveu o governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki como "igual ao de Saddam". Saddam Hussein governou o país de 1979 a 2003. Derrubar Saddam foi um dos motivos alegados pela coalizão liderada pelos Estados Unidos para invadir o Iraque, em 2003.

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