Solução política para Líbia está tomando forma--França

Emissários de Muammar Gaddafi estão em contato com membros da Otan para dizer que o líder líbio está pronto para deixar o poder, disse o governo da França nesta terça-feira, no mais recente sinal de uma possível solução negociada para encerrar a crise na Líbia.

LAMINE CHIKHI, REUTERS

12 de julho de 2011 | 14h08

"Uma solução política é mais do que nunca indispensável e começa a tomar forma", disse o primeiro-ministro francês, François Fillon, a uma comissão parlamentar que deve votar mais tarde sobre se estende ou não as operações militares da França na Líbia.

As potências da Otan até agora tinham se centrado firmemente nos ataques aéreos e em apoiar os rebeldes tentando derrubar Gaddafi. Mas, após cinco meses de insurreição e sem nenhum sinal de avanço, a atenção está se voltando para uma solução política.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, havia dito que os emissários do governo de Gaddafi estavam em contato com diversos membros da Otan, embora ele tenha dito que ainda não havia negociações.

"Emissários estão nos dizendo que Gaddafi está pronto para partir, vamos conversar sobre isso", disse Juppé, acrescentando que os emissários afirmaram que vinham em nome de Gaddafi.

"A questão não é mais se Gaddafi vai partir, mas quando e como", afirmou Juppé.

"Todos estão em contato com todos. O regime líbio está enviando mensageiros para todos os lugares, para a Turquia, Nova York, Paris", disse Juppé à estação de rádio France Info. "Há contatos, mas nesse ponto não é uma negociação propriamente dita."

Não estava claro quão confiável eram as informações dos emissários. Muitos observadores advertem sobre a necessidade de cautela nas conversas vindas do governo líbio, porque as propostas de paz anteriores acabaram em nada.

Fontes afirmam que os enviados são assessores próximos a Gaddafi que estão em contato com intermediários que falaram diretamente com Sarkozy.

O ministro da Defesa francês, Gerard Longuet, declarou no fim de semana que os rebeldes líbios deveriam iniciar negociações diretas com os aliados de Gaddafi e uma informação de que Paris estaria negociando com o líder líbio apontavam a crescente inquietação da França com o impasse.

Autoridades francesas negaram qualquer mudança de posição na segunda-feira e disseram que Paris meramente enviou mensagens a Trípoli por meio de intermediários o que deixa claro que o líder líbio tem de abandonar o poder e retirar suas tropas para permitir uma solução política.

A França participa da campanha aérea da Otan, que opera com um mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) com o intuito de proteger civis. A França foi o primeiro país a lançar ataques aéreos contra tropas leais a Gaddafi em março.

Tudo o que sabemos sobre:
LIBIAFRANCAPOLITICA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.