Sunitas protestam no Iraque e ameaçam levar país a crise

Milhares de iraquianos em cidades de maioria sunita protestaram nesta sexta-feira contra o primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki, e as medidas tomadas por ele contra dois líderes sunitas, um dia depois que violentos ataques a bomba deixaram mortos na capital Bagdá.

REUTERS

23 de dezembro de 2011 | 15h51

Nesta semana, Maliki ordenou a detenção do vice-presidente sunita, Tareq al-Hashemi, sob acusações de terrorismo e tomou medidas para demitir um deputado sunita. Na quinta-feira, ao menos 72 pessoas morreram em Bagdá, em ataques realizados principalmente nos bairros xiitas.

Os eventos ameaçaram fragmentar o país, aprofundando as frágeis divisões sectárias e étnicas, e aumentar o risco do mergulho em um tipo de massacre sangrento que alguns anos atrás conduziu o país à beira da guerra civil.

Depois das orações de sexta-feira, em que imames (sacerdotes) sunitas alertavam que Maliki estava fomentando as divisões sectárias, manifestantes tomaram as ruas nas cidades de maioria sunita: Samarra, Ramadi, Baiji e Qaim. Muitos acenavam faixas em apoio a Hashemi e contra o governo.

A crise poderia minar um delicado acordo de compartilhamento de poder que divide os cargos entre líderes xiitas, sunitas e curdos, apenas alguns dias depois de as últimas tropas norte-americanas se retirarem do país, quase nove anos após a invasão para derrubar Saddam Hussein.

"As acusações contra Hashemi foram planejadas por trás de portas fechadas. Maliki está tentando remover os sunitas do poder e ter maior controle, como um novo ditador no Iraque", disse Ahmed al-Abassi, manifestante em Samarra.

Uma sessão emergencial do Parlamento entre líderes de diferentes blocos políticos para debater a crise foi cancelada nesta sexta-feira.

(Por Ghazwan Hassan)

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