Taleban proíbe TV em província afegã

Grupo insurgente invade mesquita e afirma que canais mostram programas não-islâmicos

SAYED SALAHUDDIN, REUTERS

13 de maio de 2008 | 09h50

Insurgentes do Taleban ordenaram que os moradores de uma província perto de Cabul, capital do Afeganistão, parem de assistir à televisão, afirmando que os canais mostram programas não-islâmicos, disseram a imprensa e autoridades locais nesta terça-feira, 13. A ordem faz parte de uma série de restrições anunciadas pelos militantes nas áreas em que eles agem. Najib Manelai, importante autoridade do Ministério das Informações afegão, disse que dezenas de homens mascarados e armados entraram em mesquitas na província de Logar no fim de semana, ameaçando os moradores que assistiam à televisão. "Eles ameaçaram as pessoas, dizendo que 'se você não deixar de assistir à televisão, você vai ver violência"', disse Manelai à Reuters. A mídia local citou moradores, que disseram que o Taleban mpôs a proibição porque os canais de TV veiculam programas "não-islâmicos e cultura anti-afegã". Removido do poder em 2001, o Taleban, que tem o apoio da Al-Qaeda, lidera uma insurgência contra o governo e as forças estrangeiras. Não foi possível contatá-los para comentar o assunto. Enquanto esteve no poder, o grupo proibia o acesso à televisão, à música e ao cinema. Mais de doze canais privados de TV e estações de rádio surgiram no Afeganistão desde a queda do Taleban. O Ministério das Informações e as forças de segurança tomaram uma atitude contra a ação do Taleban, disse o ministro Manelai, sem dar mais detalhes.  A proibição dos programas de TV em Logar segue as exigências de acadêmicos e do próprio Ministério das Informações, que, na semana passada, pediram que algumas estações deixem de passar tantas novelas indianas, por razões religiosas.Mas o pedido foi ignorado. Nos últimos meses, o Taleban ordenou que as operadores de telefonia móvel encerrassem seus negócios, dizendo que as tropas estrangeiras usam telefones para caçá-los. Eles também disseram para meninas de várias partes do sul e do leste que não fossem à escola.

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