Taliban afegão ameaça decapitar soldados dos Estados Unidos

Supostos insurgentes afegãos alvejaram nesta terça-feira uma delegação governamental que investiga o massacre de 16 civis por um soldado dos Estados Unidos, disseram autoridades, horas depois de o Taliban ameaçar decapitar militares norte-americanos para vingar a chacina.

ROB TAYLOR E MIRWAIS HAROONI, REUTERS

13 de março de 2012 | 08h44

No momento do ataque insurgente, dois irmãos do presidente Hamid Karzai -Shah Wali e Addul Qayum- acompanhavam os funcionários de alto escalão dos ministérios de Defesa, Inteligência e Interior que viajavam até o local do massacre, nas aldeias de Najiban e Alekozai, na província de Kandahar, sul do país.

Os irmãos do presidente escaparam ilesos do breve tiroteio ocorrido durante reuniões na mesquita de uma das aldeias, que fica numa rota de suprimento e reduto do Taliban. Um soldado e um civil ficaram feridos.

"O Emirado Islâmico mais uma vez alerta os animais americanos que os mujahideen vão vingá-los, e com a ajuda de Alá vamos matar e decapitar seus sádicos soldados assassinos", disse em nota um porta-voz do Taliban, Zabihullah Mujahid, usando o termo que o grupo islâmico usa para se descrever.

A cidade de Jalalabad registrou o primeiro protesto pelo incidente de domingo, envolvendo cerca de 2.000 estudantes, e o Taliban disse que a hostilidade civil contra as tropas ocidentais não será atenuada pelas exigências do governo afegão para que o sargento responsável pelo massacre seja julgado abertamente.

O militar envolvido não foi identificado e se sabe apenas que ele teria chegado recentemente ao país. Ele é acusado de sair no meio da noite do seu quartel na província de Kandahar e matar 16 aldeões, principalmente mulheres e crianças.

O caso, ocorrido semanas depois de a queima de exemplares do Alcorão em um quartel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) causar indignação nacional, pode complicar os esforços dos Estados Unidos para negociar uma continuidade da sua presença militar no Afeganistão depois da retirada das tropas de combate, no fim de 2014.

Falando após conversa telefônica com Karzai, que se disse furioso com as novas mortes, o presidente norte-americano, Barack Obama, disse que a chacina só reforça a sua disposição em retirar as tropas do Afeganistão.

Mas Obama alertou que não deve haver uma "corrida para a saída", e que é preciso encerrar de forma responsável a ocupação iniciada no final de 2001.

O suposto autor do massacre, pertencente a uma unidade militar convencional, trabalhava em um quartel conjunto dos Estados Unidos e do Afeganistão, usado por tropas de elite dos EUA sob um programa dito de "apoio às aldeias".

O programa já foi saudado pela Otan como possível modelo para o envolvimento norte-americano no país depois da retirada das tropas de combate em 2014.

Essas bases prestam apoio a unidades afegãs de segurança e oferecem assessoria de segurança, treinamento e ajuda em atividades de inteligência e combate à insurgência.

(Reportagem adicional de Jack Kimball)

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