Taliban afegão vai abrir escritório no Catar, diz porta-voz

O Taliban afegão disse nesta terça-feira que chegou a um acordo preliminar para abrir um escritório político no Catar, nação do Golfo Pérsico, e pediu a libertação de prisioneiros mantidos na prisão militar norte-americana na Baía de Guantánamo.

REUTERS

03 de janeiro de 2012 | 11h33

A representação do Taliban é vista pelas autoridades ocidentais e afegãs como um passo importante para levar adiante as tentativas discretas de se chegar a um fim negociado de uma década de guerra no Afeganistão.

"Estamos prontos... a ter um escritório político no exterior a fim de obter um entendimento com (a comunidade) internacional, e por causa disso chegamos a um acordo inicial com o Catar e locais relevantes", disse o porta-voz Zabihullah Mujahid em um comunicado por email.

O alto conselho pela paz do Afeganistão afirmou no final de dezembro que o governo afegão aceitaria um escritório do Taliban no Catar - embora a Arábia Saudita e a Turquia fossem as opções preferidas do Afeganistão -, mas destacou que nenhuma potência estrangeira poderia se envolver no processo de negociações sem o seu consentimento.

Autoridades norte-americanas disseram à Reuters no final do mês passado que, depois de dez meses de diálogo com o Taliban, as negociações chegaram a um ponto crítico e logo saberiam se seria possível pôr fim ao impasse.

Como parte da diplomacia, os Estados Unidos estudam a transferência de vários presos de alto perfil do Taliban da prisão militar em Guantánamo para a custódia do governo afegão.

Mujahid também reivindicou a libertação dos presos do Taliban.

"O Emirado Islâmico também pediu a libertação dos presos de Guantánamo", dizia o comunicado, usando o nome que o Taliban afegão dá a seu movimento.

Os líderes do Afeganistão expressaram preocupação de que o escritório seja usado apenas como um endereço para ajudar os negociadores a verificar a identidade de qualquer um que alegue ser representante do Taliban, e não como uma base para construir influência política.

O pedido de um endereço foi feito depois de uma série de esforços fracassados de afegãos e de seus aliados ocidentais, alguns deles com interlocutores que, descobriu-se depois, eram falsos.

(Reportagem de Hamid Shalizi)

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