Taliban do Afeganistão diz que líder está 'vivo e bem'

O Taliban afegão desdenhou nesta segunda-feira como "propaganda" relatos da mídia de que seu recluso líder, o mulá Mohammad Omar, foi morto no Paquistão, dizendo que ele está vivo no Afeganistão e que promete continuar a insurgência.

PAUL TAIT, REUTERS

23 de maio de 2011 | 09h28

Autoridades de segurança paquistanesas e diplomatas, comandantes militares dos EUA e funcionários do governo do Afeganistão questionaram os relatos de que Omar, um dos homens mais procurados do mundo, foi assassinado enquanto viajava entre Quetta e o Waziristão do Norte, no Paquistão.

"Ele está vivo e bem no Afeganistão", disse Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taliban, à Reuters por telefone de um local não revelado. "Rejeitamos com veemência essas alegações sem fundamento de que o mulá Mohammad Omar foi morto."

"Isto é propaganda do inimigo para enfraquecer o moral dos combatentes."

Um porta-voz da agência de inteligência afegã, o Diretório Nacional de Segurança (NDS na sigla em inglês), disse que suas fontes sabiam que o mulá Omar vinha residindo na cidade paquistanesa de Quetta, na região do Baluquistão, mas que recentemente desapareceu.

"Podemos confirmar que ele desapareceu de seu esconderijo em Quetta, no Baluquistão, nos últimos quatro ou cinco dias", declarou Lutfullah Mashal, porta-voz da NDS, em coletiva de imprensa.

"Não podemos confirmar se ele está vivo ou morto."

Omar, que usa uma longa barba e é caolho, raramente é visto em público. Com uma recompensa de 10 milhões de dólares por sua cabeça, ele fugiu com o resto da liderança do Taliban afegão depois que sei governo foi derrubado por forças afegãs apoiadas pelos EUA no final de 2001. Eles formaram a "shura de Quetta", ou conselho de liderança.

O Taliban foi deposto por se recusar a entregar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Bin Laden foi morto por uma equipe de elite dos fuzileiros navais dos EUA em uma cidade pouco distante da capital paquistanesa, Islamabad, encerrando uma perseguição que se arrastou por mais de dez anos.

A morte de Bin Laden foi um golpe a uma Al Qaeda já fragmentada, mas seu efeito em grupos armados dispersos como o Taliban do Afeganistão e do Paquistão não ficou tão evidente.

(Reportagem de Ismail Sameem em Candahar, Hamid Shalizi em Cabul, Christopher Allbritton, Kamran Haider e Rebecca Conway em Islamabad)

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