Tanques de Kadafi chegam ao centro de cidade rebelde

Porta-voz dos rebeldes diz que número de vítimas é tão alto que ficou impossível contar

HAMID OULD AHMED, REUTERS

20 de março de 2011 | 13h17

Forças leais do líder líbio Muamar Kadafi chegaram ao centro de cidade de Misrata, dominada por rebeldes, com tanques, e muitas pessoas foram mortas a tiros, disseram moradores neste domingo.

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Moradores de Misrata, único reduto insurgente restante no oeste da Líbia, disseram que ataques aéreos da coalizão ocidental atingiram, durante a noite, a base de forças pró-Kadafi no sul da cidade, mas que isso não interrompeu a ofensiva contra os opositores.

"Há combates entre os rebeldes e as forças de Kadafi. Seus tanques estão no centro de Misrata", disse Abdelbasset, porta-voz dos rebeldes, por telefone. "Há tantas vítimas que nós não podemos contá-las."

"Ele (Kadafi) está usando uma estratégia de terra queimada. Queimando e destruindo tudo em seu caminho", disse Abdelbasset.

Era impossível verificar o número de mortos em Misrata porque as autoridades líbias impediam que jornalistas chegassem à cidade.

As forças de Kadafi - incluindo unidades da 32a brigada, comandada por seu filho, Khamis - estão atacando Misrata há dias, segundo moradores, mas até este domingo os rebeldes conseguiam mantê-las confinadas aos arredores da cidade.

Misrata é a terceira maior cidade da Líbia, a cerca de 200 quilômetros de Trípoli.

"Duas pessoas foram mortas até agora por franco-atiradores. Eles (os franco-atiradores) ainda estão nos telhados. Eles estão sendo apoiados por quatro tanques que estão patrulhando a cidade. Está ficando muito difícil para as pessoas saírem", disse um morador, chamado Sami, à Reuters por telefone.

"Eles também possuem barcos cercando o porto e impedindo que a ajuda chegue até a cidade."

Em discurso na sexta-feira, Obama citou Misrata como uma das cidades de que Kadafi deveria retirar suas forças para não sofrer intervenção militar. Uma coalizão formada por EUA, França, Reino Unido, Itália e Canadá deu início no sábado, 19, a uma intervenção militar no país, sob mandado da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A medida prevê a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a tomada de 'quaisquer medidas necessárias' para impedir o massacre de civis pelas tropas de Kadafi.

 

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Com Reuters e AP

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