Tanques líbios atacam partidários de Gaddafi em Sirte

Tanques comandados por combatentes do governo interino da Líbia dispararam contra partidários que ainda controlam a cidade natal de Muammar Gaddafi na segunda-feira, enquanto caças da OTAN faziam sobrevoos prontos para renovar bombardeios contra a cidade costeira sitiada de Sirte.

ALEXANDER DZIADOSZ E SHERINE EL MADANY, REUTERS

26 Setembro 2011 | 12h24

Enquanto forças anti-Gaddafi que avançavam do oeste mantinham sua posição, disparando de dois tanques posicionados a cerca de 2 quilômetros do centro da cidade, um impulso da frente leste com a chegada de dezenas de caminhonetes armadas animou os combatentes.

Sirte, onde aeronaves da OTAN atingiram alvos no domingo, fica entre Trípoli e a cidade a leste de Benghazi, ambas agora sob o controle do Conselho Nacional de Transição (CNT), cujos rebeldes entraram na capital há cinco semanas após seis meses de combates.

Tomar Sirte seria um grande incentivo para o CNT, que tenta estabelecer credibilidade como um governo capaz de unir as tribos e regiões fracionadas da Líbia, e um golpe para Gaddafi, que pode estar escondido em algum lugar da Líbia.

Organizações humanitárias também estão ansiosas para ver o fim das lutas nos últimos bastiões de partidários de Gaddafi. Elas emitiram um alarme sobre as condições para os civis isolados em Sirte e em Bani Walid, ao sul.

A leste de Sirte, dezenas de caminhonetes do CNT carregando canhões antiaéreos e combatentes armados avançavam até 10 quilômetros da cidade, disseram jornalistas da Reuters.

"Há uma forte resistência nos arredores de Sirte e há franco-atiradores de Gaddafi, mas se Deus quiser entraremos em Sirte hoje à noite", disse o combatente do CNT Emad al-Amamy à Reuters. Mas essa é uma esperança que foi frustrada muitas vezes nas últimas semanas.

A oeste da cidade, forças do CNT retrocederam no domingo, dizendo que era para abrir caminho para o ataque aéreo da OTAN. Vários civis em carros carregados de pertences pessoais continuavam a deixar a cidade para o leste e o oeste. Combatentes do CNT os inspecionavam, procurando partidários de Gaddafi.

Grupos de ajuda internacional exigem acesso.

"Estamos muito preocupados com as pessoas dentro e perto de Bani Walid e Sirte", disse George Comninos, que lidera o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) na Líbia, em um comunicado.

"Reservas de alimentos e medicamentos estão acabando nas duas cidades. Estamos recebendo muitos pedidos para ajudar os feridos e ajudar os civis em geral", acrescentou.

Combatentes do CNT e pessoas que fugiram de Sirte alegaram que os combatentes pró-Gaddafi estavam tentando evitar que os civis saíssem da cidade, usando-os como escudos humanos.

"As forças de Gaddafi cercaram a área, a isolaram atirando nas pessoas," disse um homem chamado Youssef, que saía de Sirte com sua esposa. "Há muita gente que quer sair mas que não consegue."

(Reportagem adicional de William MacLean e Joseph Logan em Trípoli; Emad Omar em Benghazi; e John O'Donnell em Bruxelas)

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