Teerã diz que novas sanções da UE são 'injustificáveis'

Governo iraniano afirma que medidas contra maior banco iraniano não impedirão avanços do programa nuclear

Efe,

24 de junho de 2008 | 08h31

O governo do Irã qualificou nesta terça-feira, 24, as novas sanções impostas pela União Européia (UE) como "paradoxais" e "injustificáveis", e advertiu que isso não fará com que Teerã renuncie a seu direito de ter acesso à tecnologia nuclear.   Veja também:   UE aprova sanção financeira contra programa nuclear   A UE aprovou na segunda-feira novas sanções contra entidades e personalidades iranianas, entre elas o Banco Melli, principal instituição bancária do Irã, pela recusa da República Islâmica a suspender suas atividades nucleares, que o Ocidente suspeita que tenham fins militares. O porta-voz oficial iraniano, Mohamad Ali Hosseini, considerou que "a adoção pela UE de uma resolução paradoxal e de uma política de dois pesos e duas medidas é algo que não faz sentido e é condenável", segundo a emissora de TV iraniana Alalam.   Hosseini afirmou que a decisão do bloco é "injustificável", e lembrou que seu país ainda estuda o conjunto de incentivos dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha (5+1) para solucionar a polêmica gerada pelo programa iraniano.   A proposta das seis grandes potências (EUA, Reino Unido, França, Rússia, e Alemanha) foi entregue aos iranianos no último dia 14 pelo chefe da diplomacia européia, Javier Solana. Teerã tinha apresentado semanas antes sua própria proposta ao 5+1, e o governo iraniano disse que estava disposto a negociar os "pontos comuns" dos dois planos, mas insistiu em que não suspenderá o enriquecimento de urânio.   "Adotar esta política e ignorar os direitos legítimos dos iranianos não nos fará abandonar nossa caminhada em direção ao desenvolvimento tecnológico", disse Hosseini, que advertiu que a nova decisão "não ajuda a obter uma solução pela via diplomática".   "A UE deve respeitar os direitos de nosso povo, aplicar as cláusulas do Tratado de Não-Proliferação (de armas nucleares) e retornar à via pacífica conforme os pontos comuns nas duas propostas", acrescentou o porta-voz.   O Irã, que considera que o Tratado de Não-Proliferação lhe dá direito a desenvolver um programa atômico civil, rejeita as acusações de tentar fabricar a bomba atômica, por isso se opõe a suspender o enriquecimento de urânio, uma matéria de duplo uso, militar e civil.

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