Tensão cresce no Líbano após Hezbollah tomar Beirute

Depois de oposição se apossar de capital, crise se estende a outras regiões; confrontos matam ao menos 13

Efe,

09 de maio de 2008 | 19h17

A oposição libanesa, liderada pelo Hezbollah, se apossou, em menos de 48 horas, das ruas de Beirute sem encontrar muita resistência, o que traz dúvidas sobre o destino que aguarda o Líbano. Os confrontos, que até agora deixaram pelo menos 13 mortos e 32 feridos, foram interrompidos às 12 horas - no horário local - na capital, após o Hezbollah e seus aliados xiitas terem obtido o controle de todas as ruas do oeste de Beirute. A tensão, porém, se estendeu a outras zonas do país, como nos arredores da capital, onde duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas em confrontos.   Veja também: Hezbollah assume o controle de parte de Beirute Entenda as divisões e a crise política Advogado brasileiro no Líbano relata o clima e tensão no país    Em Trípoli, ao norte, partidários da maioria protestaram contra o Hezbollah. Já em Beirute, os membros da oposição atacaram e obrigaram à evacuação dos funcionários dos veículos de comunicação da família de Saad Hariri, líder da maioria parlamentar, como a televisão Future e o jornal Al Mustaqbal.   A antiga sede do canal de televisão, no distrito de Hamra, ficou completamente queimada pelo ataque de supostos milicianos do Partido Nacional Social da Síria, na órbita de Damasco, mas a legenda emitiu um comunicado para desmentir sua participação.   Além disso, as forças da oposição cercaram os escritórios e as casas dos principais dirigentes da maioria, que passaram à custódia do Exército.   Atuação do Exército   As Forças Armadas têm muito prestígio por serem consideradas a única instituição independente do país. Por isso, limitaram sua missão a proteger os prédios e sedes governamentais, assim como os líderes das facções libanesas. No entanto, os temores de que o Exército se divida em linhas confessionais, como já ocorreu em 1976, não desapareceram, assim como o medo de uma guerra civil aberta, como aconteceu desta vez.   As Forças de 14 de Março, pilar do governo anti sírio de Fouad Siniora, pediram ao Exército para agir perante o que qualificaram de "um golpe de Estado contra a legitimidade e a coexistência". Em comunicado lido pelo líder cristão Samir Geagea, as Forças vão pedir aos militares que protejam "as almas dos libaneses e suas propriedades."   A coalizão anti síria se reuniu na casa de Geagea em Beirute para analisar suas opções, que, para o Hezbollah, se reduzem a uma: que o governo volte atrás na ordem de colocar fim à rede de telecomunicações da milícia.   O Executivo tomou na terça-feira passada a decisão de eliminar a rede de telecomunicações do grupo xiita, o que seu líder, Hassan Nasrallah, qualificou na quinta-feira como "uma declaração de guerra".   A vitória no terreno do Hezbollah, que deixou clara a arrasadora superioridade militar de sua milícia sobre as forças da maioria, abriu um cenário incerto no Líbano.   Apesar das palavras de um dos grandes aliados do Hisbolá, o cristão Michel Aoun, que disse que esperava que até a noite a cidade tivesse recuperado a normalidade, o certo é que homens encapuzados e armados continuavam andando por uma Beirute quase fantasma.   Falta de solução   A imprensa libanesa, que citou fontes diplomáticas árabes, informaram que Hezbollah está estudando a possibilidade de renunciar perante a impossibilidade de encontrar uma solução.O ministro de Juventude e Esporte, o druso Ahmad Fatfat, porém, rejeitou essa opção, ao considerar que "um vazio não pode ser substituído por outro", em referência a que no Líbano não há presidente e a única autoridade existente é o Governo.   "O que aconteceu nestes três últimos dias em uma guerra aberta. Nós tentamos chegar a um acordo, mas todas nossas propostas foram rejeitadas", disse Fatfat. As próximas horas podem ser fundamentais para o futuro do Líbano, que continua na beira do precipício de uma guerra fratricida.          

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