Terminam negociações de paz entre Israel e Síria na Turquia

Após 3 dias de conversas mediadas pelos turcos, os dois países alcançam 'bases comuns' e reuniões continuarão

Efe,

22 de maio de 2008 | 10h50

As conversas indiretas de paz entre Israel e Síria iniciadas sob mediação da Turquia em Istambul terminaram após três dias de reuniões secretas, confirmou nesta quinta-feira, 22, o ministro de Assuntos Exteriores turco, Ali Babacan. "A linha Israel-Síria do processo de paz no Oriente Médio foi reaberta oficialmente após uma interrupção de 13 anos. Foi estabelecida uma base comum e as partes continuarão se reunindo a partir de agora", declarou Babacan à imprensa.   Veja também: Israel e Síria anunciam negociação de paz Entenda a disputa sobre as Colinas de Golan   A reativação das conversas foi anunciada na quarta-feira em comunicados oficiais de Israel, Síria e Turquia. "Decidimos prosseguir o diálogo de forma séria e contínua para conseguir uma paz completa segundo os termos da Conferência de Madri" de 1991 de paz por territórios, anunciaram os três países.   Na quarta-feira, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, confirmou o diálogo com os inimigos de longa data e alertou que o processo não seria fácil e envolveria concessões difíceis. O premiê não especificou de que tipo de privilégios teria que abrir mão, mas já mencionou em outras ocasiões que estaria disposto a ceder as Colinas de Golan, ocupadas por Israel em 1967, em troca da paz.   A mediação da Turquia foi proposta em fevereiro pelos primeiros-ministros israelense, Ehud Olmert, e turco, Recep Tayyip Erdogan. As críticas da oposição conservadora israelense não esperaram o anúncio oficial de quarta-feira sobre o começo das negociações, que Olmert chamou em um ato público em Tel Aviv de "dever nacional".   Michael Eitan, deputado do partido oposicionista Likud, afirmou nesta quinta ao jornal Yedioth Ahronoth que "um acordo de paz com a Síria é o mesmo que assinar a paz com (o presidente do Irã, Mahmoud) Ahmadinejad". "Não podemos fazer nenhuma concessão a Damasco porque é um aliado do Irã e serve de base para as hostilidades e agressões contra Israel", acrescentou.   Já a ministra de Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, disse nesta quinta que o processo de paz depende de a Síria renunciar o apoio ao terrorismo. Os representantes dos assentamentos judaicos em Golan já mostraram sua indignação com o início das conversas, que chamaram de "ato irresponsável que transferirá uma terra estratégica e colonizada ao eixo do mal árabe."   Na quarta à noite, Olmert declarou em uma conferência em Tel Aviv que se sentia "contente com que as duas partes tenham decidido falar", mas mostrou prudência ao garantir que não tinha "ilusões."   Rejeição israelense   Ainda nesta quinta-feira, uma pesquisa mostra que dois terços dos cidadãos israelenses são contra a devolução à Síria das Colinas do Golã. A maioria dos israelenses não está disposta a devolver esse território nem sequer em troca da paz com a Síria, segundo revela o Instituto Maagar Mochot em uma pesquisa divulgada nesta quinta pelo jornal Ha'aretz.   Segundo o estudo, 68% dos entrevistados desejam a manutenção da soberania sobre Golã, enquanto 35% se declaram "preparados para realizar ações ilegais" para impedir a retirada das colônias israelenses da região.   Aproximadamente 18 mil colonos judeus moram em Golan, junto a um número similar de população autóctone drusa.

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