Testemunha afegã diz ter visto pai receber tiro no rosto

O barulho dos tiros arrancou Jan Agha da cama, na sua vila na província de Kandahar, no Afeganistão. O seu pai vigiava nervoso a rua pela janela. De repente, mais tiros. O pai, atingido na garganta e na face, morreu ali mesmo.

REUTERS

11 de março de 2012 | 16h05

Autoridades afegãs dizem que a força militar ocidental matou 16 civis, incluindo nove crianças, neste domingo, no sul de Kandahar, num ataque que, segundo testemunhas, foi feito por soldados norte-americanos que riam e estavam aparentemente bêbados.

Somente um soldado dos Estados Unidos estaria envolvido no ataque, segundo uma autoridade do país em Washington, mas isso não é o que relatam as testemunhas.

Agha, de 20 anos, afirmou que os soldados que abriram fogo no início da manhã entraram na casa da família e esperaram em silêncio por um tempo que pareceu a eternidade. Ele se deitou no chão e se fingiu de morto.

"Os americanos ficaram na nossa casa por um tempo. Eu fiquei com muito medo", disse à Reuters o rapaz. "Minha mãe recebeu um tiro no olho e outro na face. Ela ficou irreconhecível. Acertaram o meu irmão na cabeça e no peito, e a minha irmã foi morta também."

A história de Agha de que vários soldados atiraram nos moradores não pôde ser imediatamente verificada.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) declarou ter preso um dos seus soldados e que investiga o ocorrido. Disse que parecia que o soldado havia ido a mais de uma vila perto da base militar.

O gabinete do presidente afegão, Hamid Karzai, no entanto, afirmou num comunicado que fez contato com um garoto ferido no ataque, e ele descreveu como soldados americanos entraram na sua casa e atiraram contra a sua família.

Descrito pelo Ministério da Defesa afegão como um ato "desumano", o ataque foi um dos piores incidentes do tipo desde a invasão norte-americana ao país em 2001.

Não ficou claro em que missão esse soldado ou esses soldados norte-americanos estariam envolvidos.

Imagens de TV da Reuters depois do ataque mostraram a segurança da vila reforçada.

A morte de civis é uma das principais causas de tensão entre Washington e Cabul.

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