Trabalhadores humanitários questionam eficácia de ajuda entregue à Síria

Sete semanas depois de caminhões de ajuda humanitária da ONU atravessarem a fronteira da Turquia para a Síria pela primeira vez, trabalhadores e autoridades de ajuda humanitária lotados no centro turco de ajuda ainda não sabem onde os suprimentos foram parar.

DASHA AFANASIEVA, Reuters

13 Maio 2014 | 10h05

O comboio de 78 caminhões com comida, leitos e remédios destinados sobretudo à província curda de Hasakah foi considerado um teste da boa vontade das autoridades sírias e dos rebeldes em atender a uma resolução da ONU que exige a permissão de passagem da ajuda humanitária nas linhas de frente do conflito e fronteiras, nas rotas mais diretas aos necessitados.

Mas nenhuma lista de distribuição foi entregue relacionada a essa ou qualquer outra remessa da ONU desde a resolução, dizem os funcionário de ajuda humanitária em Gaziantep, perto da fronteira turca, o que dificulta os esforços de uma série de entidades que tentam coordenar uma resposta à pior crise humanitária do mundo.

"Ainda não sabemos para onde foi o comboio e não nos sentimos confortáveis com isso. A ONU está refém do regime (sírio)", disse uma autoridade turca, sob condição de anonimato, já que seu governo ainda não se posicionou publicamente sobre o assunto.

De acordo com o estipulado pelo governo sírio, a entrega foi repassada a agência sírias parceiras, incluindo o Crescente Vermelho Árabe sírio.

A Reuters questionou a ONU em Damasco por informações sobre a distribuição final dos suprimentos em Hasakah, mas ninguém estava disponível para falar sobre o assunto. O Crescente Vermelho Árabe na Síria não pôde ser contatado.

A resolução da ONU, adotada pelo Conselho de Segurança em fevereiro, em uma rara demonstração de unanimidade sobre a Síria, tinha como objetivo impulsionar o acesso da ajuda humanitária e ameaçava tomar "medidas adicionais" se o governo sírio e os rebeldes não atendessem à determinação.

Mas a falta de transparência em torno das entregas da ONU torna o monitoramento difícil, de acordo com organizações não-governamentais (ONGs) internacionais, que escreveram no mês passado a diversos integrantes do Conselho de Segurança da ONU, alertando que a falta de coordenação significava que a ajuda não estava chegando às áreas prioritárias.

"É um dano em dobro, porque não há prestação de contas, transparência e coordenação, e a todo momento Assad se atribui o crédito (pelas entregas de ajuda humanitária) e criminaliza qualquer um que atravesse a fronteira em áreas controladas por rebeldes", disse o gestor de projetos de uma ONG ocidental que pediu anonimato, sob o temor de prejudicar ainda mais as já frágeis relações com o órgão multilateral.

Mais conteúdo sobre:
SIRIA ONU AJUDAHUMANITARIA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.