AP
AP

Trabalhistas aceitam integrar governo de direita em Israel

Com esquerdistas, Netanyahu consegue 66 das 120 cadeiras do Parlamento e já tem maioria para ser premiê

Agências internacionais,

24 de março de 2009 | 14h47

O Partido Trabalhista de Israel concordou nesta terça-feira, após uma votação acirrada, em integrar o governo do provável futuro primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A adesão trabalhista dá um tom mais ao centro a uma coalizão até o momento muito identificada com a direita. O secretário do partido, Eitan Cabel, anunciou os resultados da votação após um acalorado debate. Votaram a favor de integrar a coalizão 680 membros e 507 posicionaram-se contra.

 

Veja também:

linkJornal denuncia crimes de guerra de Israel em Gaza

 

Ofer Eini, chefe do sindicato Histadrut e importante membro do Partido Trabalhista, disse à Rádio do Exército de Israel estar feliz com a decisão. Já outros membros gritaram palavras como "desgraça" após o resultado. Netanyahu já firmou acordos com o Yisrael Beitenu e o Shas, dois

partidos conhecidos por suas políticas de linha-dura em relação aos palestinos, semelhante ao próprio partido de Netanyahu, o Likud. Já o Partido Trabalhista esteve em vários momentos na linha de frente nos esforços de paz no Oriente Médio.

 

Os trabalhistas conseguiram 13 cadeiras no Parlamento de 120 membros. Com isso, Netanyahu consegue uma maioria de 66 membros. Mas os trabalhistas podem se dividir por causa dessa votação e alguns de seus membros podem optar pela oposição. "Eu penso que em termos de princípios será difícil para nós trabalharmos juntos, e eu acredito que o governo e Benjamin Netanyahu não estão se enganando, pensando que ganharão nosso apoio", afirmou o parlamentar trabalhista Amir Peretz após a votação.

 

Netanyahu corteja ainda o moderado Partido Kadima, da ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, para que ingresse no futuro governo. Porém, Tzipi afirma que pretende permanecer na oposição, alegando que não há um comprometimento dos futuros líderes com a paz no Oriente Médio.

 

Negociadores trabalhistas e do conservador Partido Likud, de Netanyahu, passaram os últimos dois dias trabalhando por um acordo de coalizão. O líder trabalhista e ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, havia chegado a um acordo preliminar com Netanyahu. Mas metade dos deputados trabalhistas no Parlamento é contra a adesão, por causa da oposição de Netanyahu aos esforços de paz.

 

QUESTÃO PALESTINA

 

Numa abertura aos trabalhistas, Netanyahu comprometeu-se a retomar a busca por um acordo de paz com os palestinos, elaborar um plano amplo de paz para o Oriente Médio e ater-se aos acordos existentes. Netanyahu é um crítico loquaz das negociações de paz com os palestinos. Ele argumenta que as condições atuais não são adequadas para se buscar um acordo. Nas últimas semanas, porém, amenizou seu discurso em uma tentativa de atrair facções mais moderadas da cena político.

 

Uma coalizão mais ampla pode dar mais estabilidade a seu governo e não o tornar refém de parceiros menores de coalizão. Além disso, um governo mais moderado terá mais credibilidade internacional, por causa do comprometimento de pelo menos parte de seus parceiros com as negociações de paz.

 

Barak afirmou que seu Partido Trabalhista terá um papel fundamental no novo governo, de contrapeso. Segundo o ministro, com a presença dos trabalhistas será possível evitar um governo de direita e conduzir uma administração "real", que "cuidará do Estado de Israel."

 

Netanyahu tem até o próximo dia 3 para formar uma coalizão. Ele pretende assumir o cargo na semana que vem, substituindo Ehud Olmert, que anunciou em setembro que deixaria o cargo. Olmert foi envolvido em vários escândalos de corrupção.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Israel

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.