Trégua em Gaza sofre revés com foguetes na Cisjordânia

'É uma violação ostensiva da calma e nós vamos avaliar as opções', declara o premiê israelense, Ehud Olmert

AP e Reuters,

24 de junho de 2008 | 12h56

Militantes palestinos dispararam nesta terça-feira, 24, pelos menos três morteiros contra o sul de Israel a partir da Faixa de Gaza, informou o Exército israelense nesta terça-feira, 24, quebrando o cessar-fogo depois que as tropas israelenses mataram dois palestinos na Cisjordânia, área ocupada pelo Estado judeu.  Veja também:Palestinos lançam morteiros contra Israel e ameaçam trégua Os ataques não provocaram danos, mas deixaram duas pessoas levemente feridas, prosseguiu o Exército israelense. O grupo extremista Jihad Islâmica assumiu a autoria do ataque, ocorrido horas depois de um comandante do grupo ter sido assassinado durante uma operação militar israelense no norte da Cisjordânia. De acordo com um comunicado, os disparos foram uma retaliação a esse ataque, que causou a morte de Tarek Juma, comandante militar do grupo na região. O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, qualificou os disparos como "violação da trégua", mas não havia informações sobre uma eventual retaliação israelense. "É uma violação ostensiva da calma e nós vamos avaliar as opções", disse Olmert. O Hamas, porém, se mostrou disposto a manter a trégua. "Os líderes do Hamas em Gaza continuam comprometidos com o acordo de cessar-fogo firmado com Israel, apesar dos numerosos foguetes e ataques mortais desta terça-feira", disse um porta-voz do grupo palestino, segundo a rede CNN. A trégua, mediada pelo Egito, entrou em vigor na última quinta-feira com o objetivo imediato de interromper os combates nos quais sete israelenses e mais de 400 palestinos morreram - civis em sua maioria - a contar de junho do ano passado, quando o Hamas assumiu o controle total de Gaza. O cessar-fogo, porém, não inclui a Cisjordânia, onde dois palestinos morreram durante uma operação militar israelense nas primeiras horas desta terça. De acordo com um morador de Nablus, os mortos no ataque foram um ativista do grupo extremista Jihad Islâmica e um civil baleado ao abrir a porta de seu apartamento. O Exército israelense afirma que os dois mortos eram militantes palestinos. A Jihad Islâmica disse que Tarek Juma Abu Ghali, morto em Nablus, era um de seus comandantes mais importantes no norte da Cisjordânia. Osami Abu Zuhri, autoridade do Hamas, disse que Israel "pediu" pelos foguetes ao empreender a operação na Cisjordânia.  "O Hamas vai acompanhar e abordar esse assunto em reuniões com as facções, para assegurar que a calma seja mantida", disse. Já o governador de Nablus, Jamal Muheisen, afirmou que a operação foi um "crime injustificado."  Autoridades de ambos os lados disseram não acreditar que a trégua duraria. (Matéria ampliada às 15h25) 

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