Trégua entre Faixa de Gaza e Israel começa a vigorar

Uma trégua mediada pelo Egito entre Israel e grupos militantes da Faixa de Gaza entrou em vigor nesta terça-feira, após quatro dias de violência em que 25 palestinos foram mortos e 200 foguetes foram disparados contra Israel.

NIDAL AL-MUGHRABI, REUTERS

13 de março de 2012 | 09h42

O número de foguetes disparados diminuiu drasticamente após a entrada em vigor do cessar-fogo, durante a madrugada. Os militares israelenses disseram que três incidentes foram registrados, sem vítimas, e que não houve bombardeios aéreos israelenses contra a Faixa de Gaza.

Tréguas em confrontos anteriores demoraram a "pegar", só se tornando plenamente efetivas após um ou dois dias.

Uma fonte graduada do governo egípcio disse à Reuters por telefone, do Cairo, que ambos os lados "concordaram em suspender as atuais operações", sendo que Israel concordou em "parar os assassinatos" de militantes. Esse funcionário de segurança acrescentou que o objetivo da trégua é "iniciar uma calma abrangente e mútua".

Potências e entidades mundiais, como Organização das Nações Unidas, Estados Unidos, União Europeia, França e Liga Árabe, haviam feito um apelo para que ambos os lados tivessem moderação.

A liderança do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, ficou distante do confronto e parecia ansiosa para evitar um conflito maior com Israel.

"Esperamos que esse cessar-fogo continue, mas não podemos ter certeza, então nossas forças ... estão prontas para continuar se isso acabar sendo necessário", disse a repórteres o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, durante visita ao sul de Israel.

"Foi uma rodada bem-sucedida", disse ele, citando a morte de 20 militantes entre os 25 palestinos mortos nos ataques israelenses e o que ele denominou de "impressionantemente eficaz" sistema de interceptação de foguetes "Cúpula de Ferro".

"Se Israel está comprometido com o acordo, nós também estaremos comprometidos com isso", disse Khaled al-Batsh, um líder sênior da Jihad Islâmica que, juntamente aos Comitês de Resistência Popular, foi mais ativa na luta.

Amos Gilad, alto funcionário do Ministério da Defesa, disse que Israel se reserva o direito de realizar "ações preventivas" se suspeitar que há militantes preparando novos ataques. Mas, afirmou ele à Rádio do Exército, "se houver calma da parte deles, haverá calma da nossa parte".

A violência na região, a pior em vários meses, começou na sexta-feira, quando Israel matou um militante acusado de tramar um ataque contra o território israelense a partir do Egito.

Israel diz que desde então os militantes de Gaza já lançaram cerca de 200 foguetes contra suas cidades e vilarejos do sul, ferindo oito israelenses. Muitos foguetes, no entanto, foram neutralizados pelo sistema antimísseis "Cúpula de Ferro".

Mas há pouco entusiasmo na opinião pública israelense por uma campanha militar prolongada, que evocaria a guerra de 2008-2009 na Faixa de Gaza, que resultou na morte de 1.400 palestinos e 13 israelenses.

Fontes médicas disseram que 20 dos palestinos mortos desde sexta-feira em Gaza eram militantes, e os outros cinco eram civis.

Pelo menos 80 palestinos, a maioria civis, ficaram feridos pelos confrontos, que alteraram o cotidiano do sul de Israel, levando ao fechamento de escolas e retendo centenas de milhares de pessoas em suas casas.

A Faixa de Gaza, habitada por 1,7 milhão de palestinos, esteve sob ocupação israelense entre 1967 e 2005, e continua sob bloqueio de Israel. Surtos de violência envolvendo Israel e as facções militantes são frequentes nos últimos anos, mas geralmente não duram mais do que uma semana.

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