Trégua entre Israel e Hamas começa a vigorar em meio a dúvidas

Israel e o Hamasinterromperam suas ações armadas na Faixa de Gaza, naterça-feira, mas, diante de um processo de paz tomado porincertezas, os dois lados manifestaram dúvidas a respeito dequanto tempo perduraria o cessar-fogo mediado pelo Egito. Pouco antes de a trégua entrar em vigor, depois doamanhecer, um míssil lançado pelos israelenses matou umpalestino armado e feriu um outro perto de uma cerca dafronteira com Israel, na parte central da Faixa de Gaza,disseram funcionários da área da saúde e militantes. O cessar-fogo começou às 6h (0h em Brasília), depois de umoutro dia de ataques através da fronteira. Dezenas de foguetespalestinos de fabricação caseira e morteiros atingiram o sul deIsrael, sem provocar grandes danos. E ataques aéreos realizadospelas forças israelenses deixaram vários militantes feridos naFaixa de Gaza. O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou aojornal Sydney Morning Herald que o pacto representava a últimachance do grupo militante de evitar uma incursão militar daparte dos israelenses. O gabinete de Olmert anunciou, depois do início docessar-fogo, que o premiê planeja visitar o Egito na próximaterça-feira a fim de conversar com o presidente egípcio, HosniMubarak, a respeito de questões regionais e bilaterais. Em um discurso proferido na quarta-feira, Olmert disse queo acordo com o Hamas, que assumiu o controle da Faixa de Gazaao expulsar dali a facção Fatah, ligada ao presidentepalestino, Mahmoud Abbas (um político aliado do Ocidente), era"frágil e provavelmente de pouca duração". O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, em umaentrevista concedida ao jornal francês Le Monde, afirmou quenão conseguia prever se a trégua perduraria "dois dias ou doismeses". "Historicamente, nós nos encontramos em uma rota de colisãocom o Hamas. Mas ainda faz sentido agarrarmo-nos a essaoportunidade", disse Barak. Para o Hamas, suspender as ações hostis poderia traduzir-seem algum alívio no bloqueio imposto por Israel sobre a Faixa deGaza e poderia ajudá-lo a ganhar alguma legitimidade com oOcidente e a aproximar-se de uma reconciliação com Abbas, querealiza atualmente negociações de paz com Israel patrocinadaspelos EUA. Em um comunicado divulgado quando o cessar-fogo entrava emvigor, o braço armado do grupo militante afirmou estar"totalmente preparado para lançar um ataque militar que abalaráa entidade sionista" se Israel não obedecer a todos os pontosda trégua. Segundo autoridades de países ocidentais, Israel planejavapermitir que ingressasse na Faixa de Gaza um número um poucomaior de caminhões carregados com mercadorias, e isso a partirde domingo e caso o cessar-fogo ainda esteja em vigor até lá. Os palestinos exigem que as importações sejam retomadas porinteiro. Ismail Haniyeh, um dos líderes do Hamas, manifestouconfiança de que todas as facções respeitarão a trégua. O Hamascontrola a Faixa de Gaza, mas grupos armados menores desafiaramseus apelos por um cessar-fogo no passado. A última trégua, denovembro de 2006, não durou muito tempo. (Reportagem adicional de Dan Williams, Adam Entous e AvidaLandau em Jerusalém)

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