Trégua entre Israel e o Hamas começa precedida de violência

Acordo foi antecedido de ataques dos dois lados; governo israelense diz que cessar-fogo não legitima o Hamas

Agências internacionais,

19 de junho de 2008 | 07h36

Um acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo militante palestino Hamas entrou em vigor nesta quinta-feira, 19, apesar de ser antecedido por alguns ataques através da fronteira. Pelos termos do acordo, Israel vai relaxar o bloqueio à Faixa de Gaza. Serão ainda retomadas conversações para a libertação do soldado israelense, Gilad Shalit, em mãos do Hamas desde junho de 2006.   Veja também:   Israel acena para Líbano e abre 5ª frente de diálogo   Líbano volta a negar conversas de paz com Israel   Olmert diz que contatos diretos com a Síria estão próximos   As horas que antecederam o início da trégua foram de intensa atividade militar, com rebeldes palestinos disparando salvas de foguetes e morteiros e Israel promovendo bombardeios aéreos. Momentos antes do início da trégua, um militante do Hamas foi morto em um ataque aéreo israelense contra a região central de Gaza, o que expõe a fragilidade do acordo.   Quase oito horas depois do início do cessar-fogo, não havia notícia referentes a novos confrontos. Se a trégua persistir, Israel começará a suspender o bloqueio no domingo. As sanções israelenses a Gaza foram impostas com o objetivo de interromper disparos de mísseis rústicos por parte de rebeldes palestinos, mas aprofundou a miséria da população local e confinou os moradores de Gaza em uma espécie de prisão a céu aberto.   O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, advertiu que a trégua, iniciada às 03h00 GMT (00h00, hora de Brasília), será frágil. O governo de Israel negou nesta quinta que a trégua estipulada com as milícias palestinas de Gaza dê legitimidade ao movimento islamita Hamas, que considera "terrorista". Para o Ministério de Exteriores de Israel, "a iniciativa egípcia não outorga nenhuma legitimidade ao Hamas, e Israel continuará pressionando para o isolamento justificado do Hamas por parte da comunidade internacional", acrescenta a nota.   O movimento palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, disse que está confiante de que todos os militantes vão respeitar a trégua mediada pelo Egito, programada para durar seis meses. O cessar-fogo mais recente na Faixa de Gaza, em novembro de 2006, teve curta duração. Desde abril do ano passado, 14 israelenses e 600 palestinos morreram em choques entre os dois lados.   O Hamas tomou o controle de Gaza em junho de 2007, expulsando as forças leais à Fatah, a facção política liderada pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Desde então, Israel, a Autoridade Palestina e a comunidade internacional procuraram manter o Hamas no isolamento.   Matéria atualizada às 9h30.

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