Trégua vive abalo em Gaza; Israel trocaria prisioneiro com Hamas

Depois de soldados israelenses teremmatado um líder militante palestino na Cisjordânia ocupada,militantes palestinos da Faixa de Gaza dispararam váriosfoguetes contra Israel na terça-feira, desafiando umcessar-fogo em vigor nesta região há cinco dias. Os foguetes da Jihad Islâmica feriram levemente doismoradores de uma cidade fronteiriça de Israel e deixaram emsegundo plano uma reunião de potências mundiais, realizada emBerlim, para discutir formas de fortalecer o presidentepalestino, Mahmoud Abbas, enquanto realiza negociações de pazcom o Estado judaico. "Trata-se de uma violação ostensiva do período de calma, enós avaliaremos as nossas opções", disse, segundo um assessor,o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, após o ataquecontra Sderot. O Hamas, movimento islâmico rival de Abbas e que governa aFaixa de Gaza, criticou a ação militar de Israel naCisjordânia, mas conclamou seus colegas militantes asuspenderem as ações violentas. "O Hamas interessa-se por manter a calma", afirmou Sami AbuZuhri, um autoridade do grupo. Novos derramamentos de sangue na Faixa de Gaza poderiamprejudicar os esforços realizados por Olmert para garantir, coma ajuda do Egito, a libertação de Gilad Shalit, um soldadoisraelense capturado pelo Hamas. O premiê israelense enfrenta ainda um escândalo decorrupção que pode tirá-lo do poder. O caso fez surgiremconflitos na coalizão governista, dentro da qual o PartidoTrabalhista (parceiro minoritário) prometeu dar apoio a umprojeto da oposição a ser apresentado na quarta-feira com ointuito de dissolver o Parlamento. Não obstante o projeto de lei convocando eleiçõesantecipadas necessitar de uma ratificação futura a fim deentrar em vigor, meios de comunicação israelenses disseram queos membros do partido Kadima (de Olmert) estavam tentandoconvencer o líder dos trabalhistas, Ehud Barak (atual ministroda Defesa), a retirar seu apoio à medida. Olmert, de outro lado, prometeu desvencilhar-se dostrabalhistas caso os aliados votassem contra o governo. Crises políticas surgidas anteriormente em Israel foramdeixadas de lado a fim de permitir que a liderança nacional dopaís enfrentasse questões mais importantes relacionadas àguerra ou à paz. Além de monitorar os acontecimentos na Faixa de Gaza, ogoverno de Olmert anunciou no mês passado o lançamento denegociações com a Síria, em um processo mediado pela Turquia. E vem negociando indiretamente com o grupo libanêsHezbollah a fim de garantir a libertação de dois soldadoscapturados por essa guerrilha em 2006. Karnit Goldwasser, amulher de um dos militares, afirmou a um canal israelense de TVque o Olmert lhe disse que sugeriria, no domingo, a seugabinete de governo uma votação sobre uma troca de prisioneiroscom o Hezbollah. A aprovação pelo gabinete significaria a finalização de umacordo dentro de alguns dias. O gabinete do premiê não semanifestou a respeito do assunto. Membros das forças desegurança israelenses disseram que pelos soldados -- cujoestado não é conhecido -- o governo de Olmert libertaria cincoguerrilheiros libaneses. PREOCUPAÇÃO A possibilidade de ruir o cessar-fogo selado na Faixa deGaza deixou alarmado o Quarteto de mediadores internacionaispara o Oriente Médio -- EUA, a União Européia (UE), a Rússia ea Organização das Nações Unidas (ONU). E alarmados ficaramespecialmente os norte-americanos, que desejam ver Olmert eAbbas selarem um acordo de paz antes de o presidente dos EUA,George W. Bush, deixar seu cargo, em janeiro. Em um comunicado divulgado depois de seus principaisrepresentantes terem se reunido em Berlim durante umaconferência de doadores na qual foram prometidas verbas para asforças de segurança de Abbas, o Quarteto "conclamou que a pazseja respeitada por completo e manifestou a esperança de queela perduraria e que levaria uma maior segurança para ospalestinos e os israelenses, e permitiria a retomada da vidacivil normal na Faixa de Gaza." Além de suspender os conflitos entre Israel e o Hamas, atrégua, que entrou em vigor na quinta-feira, exigia dosisraelenses minorassem o bloqueio econômico imposto àqueleempobrecido território costeiro. (Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi em Gaza, AtefSaad em Nablus; Ari Rabinovitch e Will Rasmussen em Sharmel-Sheikh; Adam Entous e Brenda Gazzar em Jerusalém; e SusanCornwell e Kerstin Gehmlick em Berlim)

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