Tropas britânicas fizeram acordo com milícia xiita, diz jornal

'The Times' diz que pacto fez com que soldados não participassem de ofensiva dos EUA e do Iraque em Basra

Agências internacionais,

05 de agosto de 2008 | 10h46

Um acordo secreto entre o governo de Londres e o Exército Mahdi, facção ligada ao clérigo Muqtada al-Sadr, fez com que as tropas britânicas abandonassem os soldados americanos e iraquianos durante o confronto de Basra ocorrido em abril, segundo afirmou a edição do jornal The Times desta terça-feira, 5. Centenas de militantes foram mortos e outros detidos, mas 60 soldados iraquianos e um americano morreram na operação. O Ministério da Defesa nega a acusação.   Segundo a imprensa, cerca de quatro mil soldados britânicos, incluindo toda a brigada mecanizada, se limitou a acompanhar a batalha da barreira imposta por meio do acordo com al-Sadr. A ofensiva das tropas americanas e iraquianas em Basra pretendia tirar do controle da cidade o movimento xiita. Basra dispõe de 80% das riquezas petrolíferas do país.   O informe, sustentado em denúncias de oficiais americanos e iraquianos que participaram da operação, diz que os Estados Unidos enviaram emergencialmente fuzileiros e outros soldados para cobrir a ausência dos britânicos.   Fontes do Ministério da Defesa em Londres informaram ao jornal que o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, que ordenou o ataque contra as milícias xiitas, assim como os chefes militares americanos, ficaram decepcionados pelo comportamento dos britânicos. O pacto, que pretendia alimentar o retorno do movimento xiita ao processo político do país, foi um duro golpa para a reputação do Reino Unido no Iraque.   "Aquilo não me agradou. Todos deram por certo que, dada a existência do acordo, ninguém iria intervir. Chegar a um acordo com o outro lado não pode ser uma boa idéia", disse o tenente-coronel dos marines Chuck Western, que assessora o Exército iraquiano.   De acordo com os termos do pacto, prossegue o jornal, nenhum soldado entraria em Basra sem a permissão do secretário da Defesa britânico, Des Browne. Por meio de comunicado, o Ministério da Defesa rechaçou a história, assegurando que "não houve acordo secreto" nem "acomodação". Segundo a pasta, o único motivo para o não engajamento britânico foi para que a população de Basra percebesse a operação como uma ofensiva liderada pelo Exército iraquiano.  

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