Tropas britânicas se retiram da cidade de Basra, no Iraque

Após militares britânicos criticarem presença dos EUA no país, cerca de 500 soldados deixam região

Reuters e Efe,

02 de setembro de 2007 | 16h57

Tropas britânicas deixaram a cidade de Basra, no sul do Iraque, na noite de domingo, em mais um passo em direção à entrega da província ao controle iraquiano, abrindo caminho para uma eventual retirada das forças britânicas do país. Generais britânicos criticam EUA sobre pós-guerra iraquiano Uma fonte do Ministério da Defesa britânico em Londres disse que os soldados estavam se retirando do Palácio de Basra, erguido para Saddam Hussein, e seguindo para a grande base aérea britânica nos arredores da cidade. Uma testemunha da Reuters disse que pôde ver helicópteros decolando e aterrissando no palácio.A retirada significa o fim da presença britânica na volátil cidade pela primeira vez desde a invasão liderada pelos EUA em 2003 para afastar Saddam Hussein do poder.Ela faz parte dos planos para transferir o controle de segurança sobre a província de Basra. A transferência está prevista para terminar até o final do ano. Mas as forças britânicas continuariam a exercer um papel "de vigilância" e continuariam a treinar as forças de segurança iraquianas. A Grã-Bretanha já entregou o controle sobre três outras províncias no sul do Iraque.Cerca de 500 soldados britânicos tinham sua base no palácio de Basra, que era bombardeado diariamente por morteiros e foguetes. A retirada deles vai reduzir para cerca de 5.000 o número de soldados britânicos no Iraque. Todos têm sua base no aeroporto, que também sofre ataques diários.Os ataques de milícias iraquianas contra as tropas britânicas vêm aumentando: 41 soldados britânicos foram mortos no sul do país este ano. É o maior número de baixas sofridas pelos britânicos desde o primeiro ano da guerra.Segunda maior cidade do Iraque, Basra é estrategicamente importantíssima por sua localização entre os campos petrolíferos do sul do país, que geram quase toda a receita do governo, e por ser o centro das importações e exportações que passam pelo Golfo.A cidade vem testemunhando uma guerra travada entre grupos xiitas rivais, incluindo os partidários do clérigo incendiário Moqtada al-Sadr, o Conselho Islâmico Iraquiano Supremo e o partido Fadhila, sobretudo pela hegemonia política e o controle do tráfico ilegal de petróleo.Embora os moradores da região digam que no momento há uma calma frágil entre os grupos rivais, teme-se que a retirada britânica seja acompanhada por um aumento da violência entre facções.   Devolvendo o controle   O Reino Unido espera entregar ainda neste segundo semestre ao Iraque o controle da província de Basra (sul), anunciou hoje o Ministério da Defesa, após iniciar a retirada dos soldados."Passar às autoridades iraquianas o controle do Palácio de Basra foi nossa intenção há muito tempo, como manifestamos publicamente várias vezes. Esperamos que a entrega ocorra nos próximos dias. Anunciaremos que o Palácio foi transferido uma vez que a operação tenha sido concluída", disse o Ministério da Defesa.A fonte explicou que as Forças de Segurança iraquianas "querem assumir a plena responsabilidade de sua segurança" e esta transferência de controle "é um passo para esse objetivo".A decisão "faz parte de um processo respaldado pela coalizão", desenvolvido após consultar o Governo iraquiano e após a bem-sucedida entrega de outras bases dentro e ao redor da cidade."As forças britânicas operarão agora desde sua base no aeroporto de Basra e manterão a responsabilidade da segurança de Basra até que seja transferida para o controle provincial iraquiano, que prevemos ocorra neste segundo semestre, mas o calendário final dependerá do cumprimento das condições para a entrega", acrescentou.O Ministério da Defesa explicou que ainda havia uma série de tarefas militares que terão que ser desempenhadas pelos soldados britânicos em Basra para ajudar os iraquianos a cumprir essas condições, entre elas o treinamento adicional das Forças de Segurança iraquianas.O Reino Unido tem cerca de 5.500 soldados no Iraque, embora no final de ano deva reduzir o contingente para 5.000 soldados.Basra é a última das cinco províncias iraquianas sob controle britânico no sul do país árabe que dever ser entregue às autoridades iraquianas.A retirada do Palácio de Basra pode aumentar a pressão sobre o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, para que anuncie um calendário de retirada de todas as tropas do Iraque, fato que tem se negado até agora, e aumentar a tensão entre Reino Unido e EUA sobre a estratégia no país.Dois generais britânicos criticaram a tática de pós-guerra promovida por Washington no Iraque e o Partido Conservador britânico pediu "uma investigação profunda" sobre a maneira como o conflito e sua fase posterior foram administrados.Desde o começo da invasão liderada pelos EUA em março de 2003, 168 soldados britânicos morreram no Iraque.

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