Reuters
Reuters

Tropas dos EUA começam a se retirar de cidades do Iraque

Patrulhamento ficará sob responsabilidade de iraquianos; 131 mil americanos continuam no país até 2011

30 de junho de 2009 | 03h36

Mais de seis anos após a invasão do Iraque, as tropas americanas começam, nesta terça-feira, 30, a se retirar das cidades e centros urbanos do país, entregando formalmente as tarefas de segurança nestes locais às forças iraquianas. Cerca de 131 mil soldados americanos continuarão no Iraque, incluindo doze brigadas de combate. Ao menos 128 mil devem permanecer até as eleições nacionais no país, em janeiro do ano que vem.

 

Veja também:

Começa corrida das empresas pelo petróleo iraquiano

especialEspecial: Guerra no Iraque: do início ao fim

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki, declarou esta terça-feira o feriado do Dia da Soberania Nacional, e comemorações começaram a ser feitas já na segunda-feira. Apesar da retirada das tropas americanas das cidades e centros urbanos, que se completa nesta terça-feira, soldados americanos continuarão atuando junto às forças iraquianas. As operações de combate lideradas por forças americanas no país devem terminar em setembro de 2010, e todos os soldados devem se retirar do Iraque até o final de 2011.

As forças iraquianas estão em alerta por conta de eventuais ata ques de insurgentes durante a transferência. Segundo a BBC, embora a saída dos centros urbanos seja importante, a verdadeira retirada das forças de combate dos EUA, no ano que vem, será um desafio ainda maior. O sucesso dessa operação depende dos líderes políticos iraquianos e de sua capacidade de lidar com os grandes problemas e tensões no país.

 

A população do Iraque celebrou com fogos de artifício a retirada. A TV iraquiana promoveu uma contagem regressiva antes da meia-noite, fim do prazo formal para a retirada dos militares americanos. "A retirada das tropas americanas de todas as cidades foi concluída depois de tudo o que eles sacrificaram em nome da segurança", declarou Sadiq al-Rikabi, um conselheiro do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki. "Estamos agora celebrando a restauração de nossa soberania", prosseguiu ele. O Pentágono não se pronunciou sobre a retirada.

"Iraque preparado"

A saída das forças americanas dos principais centros urbanos iraquianos faz parte de um pacto de segurança por meio do qual os EUA se comprometem a retirar suas tropas do país árabe até o fim de 2011. Pouco antes do fim do prazo, na noite de segunda-feira, mais quatro soldados americanos foram mortos em um confronto em Bagdá, mas o Exército dos EUA não divulgou detalhes.

 

Houve um aumento acentuado da violência no Iraque nos dias que antecederam o prazo para a retirada americana dos centros urbanos. Mais de 250 pessoas morreram em uma série de ataques extremistas, a maioria tendo como alvo a maioria xiita. Maliki atribuiu as ações ao grupo extremista Al-Qaeda no Iraque e a remanescentes do Partido Baath, de Saddam Hussein.

O embaixador americano para o Iraque, Christopher Hill, afirmou que, mesmo não havendo uma grande redução no número de homens dos EUA no país até o ano que vem, a retirada das cidades é um "marco". "Sim, nós consideramos que o Iraque está preparado, e o Iraque também se considera preparado", afirmou. "Nós passamos muito tempo trabalhando bem próximos aos serviços de segurança iraquianos…eu considero que chegou a hora (da retirada das cidades)".

Hill também ressaltou que ainda haverá "muitos meios de combate americanos no Iraque nos próximos meses". "Depois de 30 de junho, mesmo com as forças de combate americanas fora das cidades e vilas, nós ainda estaremos no Iraque".

A retirada das cidades acontece dois anos após o grande aumento no número de tropas no país entre fevereiro e junho de 2007, quando o total de soldados americanos no Iraque chegou a 168 mil. Apesar da diminuição na violência, nos últimos meses houve novos ataques. Nos últimos dez dias, quase 170 pessoas morreram em atentados em Bagdá e Kirkuk.

 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
IraqueEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.