Tropas dos EUA deixam o Iraque até 2011, diz premiê

Primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, diz que Washington e Bagdá 'chegam a acordo sobre retirada'

Agências internacionais,

25 de agosto de 2008 | 11h23

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, anunciou nesta segunda-feira, 25, que seu governo e Washington chegaram a um acordo para a retirada das tropas estrangeiras do país até 2011. Maliki disse ainda que não haverá acordo com os Estados Unidos a menos que seja incluído um "prazo específico" para a saída das tropas americanas do Iraque. A Casa Branca voltou a negar a informação.   "Houve um acordo entre os dois lados de que não haverá soldados estrangeiros no Iraque depois de 2011", afirmou o premiê em um comunicado divulgado por seu gabinete.  De acordo com o premiê, a decisão de retirar todas as tropas do território iraquiano nos próximos dois anos ainda precisa da aprovação do Parlamento em Bagdá. Segundo a BBC, o texto prevê que em junho de 2009 nenhum soldado permaneça em áreas urbanas. Além disso, os militares americanos gozariam de certo grau de imunidade sob a lei iraquiana. Estariam imunes, por exemplo, a condenações em processos judiciais em bases militares ou durante operações, disse o porta-voz iraquiano. Todos os outros casos seriam tratados por um comitê judicial conjunto.   "O que os negociadores acertaram foi um esboço de acordo", disse Robert Wood, porta-voz do Departamento de Estado. "Ainda tem de passar por vários níveis do sistema político iraquiano antes de termos um acordo de verdade com o lado iraquiano", disse Wood, acrescentando que Bush teria de assinar o acordo. "Até obtermos um acordo, não temos um acordo", disse. Ele se recusou a comentar sobre 2011, data em que Maliki disse que aconteceria a retirada de toda presença militar estrangeira no Iraque.   Na semana passada, funcionários americanos e iraquianos disseram que os dois lados concordaram com um cronograma que incluía uma grande retirada das forças de combate até o fim de 2011. Depois disso permaneceria no país uma força americana menor, para treinar e aconselhar as forças locais. Os funcionários falaram sob condição de anonimato, pois o texto não havia sido aprovado por nenhum dos governos. Mas os comentários de Maliki nesta segunda-feira sugerem que o governo iraquiano não está satisfeito com esse acordo.   "Não pode haver tratado ou acordo a menos que seja baseado na total soberania do Iraque", afirmou Maliki durante um encontro com líderes tribais. Segundo o premiê, é preciso que um acordo seja baseado no princípio de que "nenhum soldado estrangeiro permaneça no Iraque após um prazo específico, não um período aberto".   O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, resiste a um cronograma para a retirada das tropas. Isso apesar das pressões de sua própria nação, com as mortes de soldados e o desânimo com o destino do conflito, iniciado em 2003. Recentemente, porém, a administração Bush passou a aceitar "horizontes de tempo" para a saída. "Nós achamos isso muito vago", rebateu um assessor próximo de Maliki nesta segunda-feira. "Nós não queremos a frase 'horizonte de tempo'. Não nos sentimos confortáveis com essa frase", disse o funcionário, sob condição de anonimato.   Na última quinta-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, esteve na capital iraquiana para discutir a operação das tropas americanas no país a partir do ano que vem. Durante sua visita, Rice se reuniu com o premiê para tentar determinar uma forma de atuação das tropas dos Estados Unidos no país depois que o mandato das Nações Unidas que autoriza a presença dos soldados americanos no Iraque expirar, no fim do ano. Atualmente, há cerca de 147 mil soldados americanos no Iraque.   Os 150 mil soldados americanos que estão no Iraque são amparados por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, que autoriza o envio de soldados estrangeiros ao país depois da invasão americana de 2003 até o fim deste ano. As negociações entre por Washington e Bagdá, iniciadas em março, tentam definir um acordo mais ambicioso que substitua a resolução e permita a presença militar dos EUA de forma indefinida - com bases permanentes - como a instituída na Europa após a Segunda Guerra Mundial..   As negociações deveriam ter sido concluídas em 31 de julho, mas atrasaram porque o Iraque insiste na apresentação de um cronograma de retirada dos soldados americanos. Bagdá quer que as conversas incluam uma data limite. Os americanos, porém querem que a retirada seja definida de acordo com os acontecimentos, sobretudo relacionados à segurança. Outro ponto polêmico na negociação é a imunidade que os EUA exigem para o seu pessoal no Iraque, e o futuro dos prisioneiros nas mãos dos soldados americanos, cerca de 21 mil.   Matéria atualizada às 14h02.

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