Tropas israelenses avançam rumo à capital da Faixa de Gaza

34 palestinos morreram, a maioria civis; 30 soldados israelenses foram feridos, dois deles em estado grave

Agências internacionais

04 de janeiro de 2009 | 07h59

Tanques avançam sobre a Faixa de Gaza no segundo dia de ofensiva  Foto: Ronen Zvulun /Reuters Tropas israelenses e militantes do Hamas se enfrentam neste domingo, 4, nos arredores da Cidade de Gaza, a capital do território. Ao menos 34 palestinos morreram na incursão. Do lado israelense, 30 soldados ficaram feridos, dois deles gravemente. É o segundo dia da ofensiva por terra, e nono de conflito na região.Veja também: Cronologia da operação 'chumbo fundido' de Israel em Gaza  EUA bloqueiam resolução do CS da ONU sobre Gaza Israel coloca vídeos de ataques no YouTube  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        Segundo fontes médicas palestinas, 27 das vítimas eraam civis, e cinco, militantes do Hamas. Já de acordo com comunicado do Exército israelense, 'dezenas' de membros do movimento islâmico foram mortos em combate. O grupo garante ter matado cinco soldados e seqüestrado outros dois. Ambas informações são negadas por Israel.Outros 466 palestinos morreram desde o começo da ofensiva aérea, no dia 27 de dezembro. Segundo a ONU, um quarto das vítimas é civil. Quatro israelenses, um deles, soldado,  morreram após o lançamento de foguetes por militantes palestinos contra o sul do país desde o começo do conflito. Gaza cortada ao meioA estratégia militar israelense virtualmente cortou ao meio a Faixa de Gaza. Os tanques israelenses invadiram o território palestino em quatro pontos. As tropas saíram dos postos fronteiriços de Nahal Oz e Karni, no leste da Faixa de Gaza, de Beit Hanun, no norte, e próximo à cidade de Rafah, no sul.  Há combates também na cidade de Zeitoun. Cerca de 25 foguetes foram disparados contra o sul de Israel por militantes do Hamas desde sábado. Uma mulher ficou ferida em Sderot. O Exército tomou um antigo assentamento judeu a três quilômetros da Cidade de Gaza e agora enfrenta militantes nos arredores da capital do território. Moradores estão fugindo para lugares mais seguros com medo dos ataques. A principal estrada que liga a cidade de Gaza ao norte da faixa está bloqueada. Ambulâncias têm enfrentado problemas para chegar aos feridos, segundo serviços médicoss palestinos. O diretor-geral do hospital Al Shifa e vice-ministro de Saúde do Hamas, Hassan Yalaf disse que o maior problema que os serviços médicos enfrentam é a falta de eletricidade."Israel cortou a provisão elétrica em toda a faixa e Gaza inteira está na total escuridão, o que dificulta enormemente o funcionamento dos hospitais e o atendimento aos feridos", disse. Mais de 1,5 milhão de palestinos vivem em Gaza. Agências humanitárias dizem que falta água, remédios e comida no território.   Uma médica do Crescente Vermelha, uma organização médica muçulmana, diz que a situação é um pesadelo. "Civis estão sendo mortos, e morteiros e fragmentos de explosivos estão esquartejando as pessoas", disse à agência Reuters. Longa ofensivaO governo israelense afirma que a ofensiva pode ser longa. Tropas de infantaria, tanques, artilharia e forças de inteligência invadiram no sábado, 3, a Faixa de Gaza, após uma semana de ataques aéreos. O ministro da Defesa, Ehud Barak, disse que o objetivo da ofensiva é proteger civis isralenses do lançamento de foguetes.    "Não será fácil nem rápido", disse em entrevista coletiva. O trabalhista, que faz parte da coalizão de centro-esquerda do premiê Ehud Olmert, é candidato nas eleições de fevereiro, nas quais o favorito é o linha-dura Benjamin Netanyahu, do Likud. A ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, do Kadima, partido de Olmert, também concorre.   Olmert disse hoje que a invasão israelense em Gaza era inevitável. Segundo ele, o país não podia permitir que seus cidadãos continuassem sob o ataque de foguetes palestinos. "Fizemos tudo e ficamos sem escolha", afirmou, em seu primeiro comentário público sobre a ofensiva.O major Avital Leibovich, porta-voz do Exército, acrescentou que o objetivo da ofensiva é "destruir a infra-estrutura terrorista do Hamas". Israel e os EUA acreditam que o movimento islâmico recebe treinamento e armas do Irã. Calcula-se que o grupo, que governa o território desde 2007, após uma cisão com o Fatah, que comanda a Cisjordânia, tenha 25 mil combatentes. O porta-voz do Hamas Abu Ubaida prometeu 'morte certa' aos soldados israelenses. "O inimigo sionista deve saber que a batalha está perdida", disse.EntendaA ofensiva aérea israelense começou após o fim de uma trégua negociada pelo Egito, na qual tanto militantes palestinos quanto forças israelenses descumpriam ocasionalmente o acordo. Depois do último dia 19, o lançamento constante de foguetes sobre o território israelense foi retomado.No dia 27, Israel retaliou com uma ofensiva aérea que deixou 466 mortos e 2,3 mil feridos, segundo fontes médicas palestinas. Ontem, Israel deu início à invasão por terra. A operação, às vésperas das eleições gerais, é a maior em Gaza em 40 anos.   Atualizado às 10h28

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