Tropas leais a Gaddafi resistem, dizem que Otan matou 354

Forças do governo interino da Líbia tentavam se recuperar no sábado depois de uma tentativa frustrada de tomar a cidade de Bani Walid. Um porta-voz de Muammar Gaddafi acusou a Otan de matar 354 pessoas em bombardeios noturnos à cidade de Sirte.

MARIA GOLOVNINA E ALEXANDER DZIADOSZ, REUTERS

17 Setembro 2011 | 10h56

Moussa Ibrahim, o porta-voz do líder deposto, contatou a Reuters usando um telefone via satélite para dizer que Gaddafi ainda está na Líbia comandando a "resistência" contra seus inimigos.

Ele disse que os ataques aéreos da Otan a Sirte, cidade natal de Gaddafi, atingiram um edifício residencial e um hotel, matando 354 pessoas.

"Estamos cientes das alegações," disse em Bruxelas, o coronel Roland Lavoie, porta-voz da aliança militar ocidental. "Não é a primeira vez que eles fazem esse tipo de alegações. Na maioria das vezes, elas acabam sendo infundadas ou falsas."

O número de mortos não pode ser verificado porque as comunicações com a cidade costeira estão deficientes desde a queda de Trípoli no dia 23 de agosto.

Mais de 700 pessoas foram feridas durante ataques aéreos em Sirte na sexta-feira, disse Ibrahim, e havia 89 desaparecidas.

"Nos últimos dezessete dias, mais de 2 mil moradores da cidade de Sirte foram mortos por ataques aéreos da Otan," ele acrescentou.

Ibrahim, que disse estar perto de Sirte, disse que Gaddafi continua no país e está confiante na vitória.

"Nós poderemos continuar lutando e temos armas suficientes para meses e meses," ele disse.

Tropas leais a Gaddafi repeliram ataques das forças do Conselho Nacional de Transição (NTC) em Sirte e Bani Walid, feitos depois que fracassaram as negociações para que eles se rendessem.

Reclamações substituíram os tiros do lado de fora de Bani Walid, enquanto os combatentes do NTC analisavam o fracasso do ataque da véspera, enquanto os defensores da cidade atiravam morteiros contra eles.

"Foi difícil," admitiu um rebelde, surpreso por ter sobrevivido aos foguetes e ataques de franco-atiradores, quando a sua brigada entrou em Bani Walid na sexta-feira. "Faremos as coisas de outro modo da próxima vez."

Depois de horas de luta, os homens do NTC recuaram quase tão rápido quanto entraram na cidade, num sério revés para os novos governantes da Líbia, que estão tentando impor seu controle em todo o país e tomar o restante das cidades controladas por Gaddafi.

Quase quatro semanas depois que os inimigos de Gaddafi invadiram Trípoli, o governo interino da Líbia ainda não conseguiu declarar que toda a enorme nação Norte Africana foi "libertada" e começar um planejamento para a elaboração de uma constituição democrática e marcar as eleições.

Apesar da sua frustração, o NTC está tratando de governar, procurando impor a ordem nas várias forças armadas irregulares e reavivar a economia baseada no petróleo.

Esses esforços receberam um incentivo na sexta-feira, quando o Conselho de Segurança da ONU suspendeu algumas sanções ao país, incluindo aquelas relativas à empresa nacional de petróleo e ao banco central líbio, e fez uma votação para estabelecer uma missão da ONU no país.

O mais recente visitante estrangeiro ao país foi o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, que citou o exemplo do destino de Gaddafi como um exemplo para a Síria, país vizinho à Turquia, cujo presidente autocrático recorreu a tanques e tropas leais numa tentativa de esmagar uma revolta popular.

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