Túmulo de Arafat é aberto para investigação de envenenamento

Peritos retiraram nesta terça-feira amostras dos restos mortais do líder palestino Yasser Arafat, na Cisjordânia, como parte da investigação a respeito das suspeitas de que ele teria sido envenenado por israelenses com o elemento radiativo polônio.

JIHAN ABDALLA, Reuters

27 de novembro de 2012 | 10h16

Arafat morreu há oito anos, mas as teorias conspiratórias a respeito disso nunca cessaram. Muitos palestinos acreditam que seu histórico líder tenha sido assassinado -- e continuarão convencidos disso qualquer que seja o resultado da autopsia.

Alguns moradores de Ramallah, onde ele está enterrado, deploraram a exumação. "Isso é errado. Depois de todo esse tempo, hoje eles de repente querem encontrar a verdade? Deveriam ter feito isso há oito anos", disse o pedreiro Ahmad Yousef, de 31 anos, que parou para ver a operação, realizada detrás de um plástico azul, nos arredores da presidência palestina.

Juízes franceses abriram em agosto uma investigação sobre a morte de Arafat, que ocorreu em um hospital de Paris. A decisão foi tomada porque um instituto suíço descobriu níveis elevados de polônio em roupas entregues pela viúva dele, Suha, por ocasião de um documentário de TV.

"As amostras serão colhidas conforme um protocolo rigorosíssimo, e essas amostras serão analisadas", disse Darcy Christen, porta-voz do Hospital Universitário de Lausanne, na Suíça, que realizou os testes iniciais nas roupas de Arafat.

Segundo ele, os primeiros resultados concretos só devem sair em março ou abril.

Arafat --que foi primeiro um inimigo de Israel, e depois um parceiro na negociação da paz-- morreu aos 75 anos, em 2004, após uma curta e misteriosa doença. A pedido de Suha, não foi feita autopsia, embora os médicos franceses dissessem que não sabiam identificar a causa da morte.

Acusações de assassinato imediatamente surgiram, e muitos palestinos apontaram o dedo para Israel, que confinou Arafat à sede da presidência em Ramallah durante seus últimos dois anos e meio de vida, depois do início de uma rebelião palestina.

O polônio, aparentemente ingerido na comida, foi apontado como causa da morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko, ocorrida em 2006 em Londres. Mas alguns especialistas questionaram se Arafat poderia ter morrido dessa forma, pois lembram que o líder palestino teve uma breve recuperação no decorrer da doença, o que seria incompatível com uma contaminação radiativa. Eles também observaram que Arafat não perdeu todo o cabelo.

O prazo de oito anos é considerado o limite para que traços de polônio sejam detectados, por causa do rápido decaimento radiativo desse elemento. Em agosto, o hospital de Lausanne questionou se valeria a pena recolher amostras se a exumação ficasse para "outubro ou novembro".

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