Turquia anuncia novas mortes de rebeldes curdos

Exército diz que 15 militantes foram mortos; Iraque e Irã concordam na necessidade de combater PKK

Agências internacionais,

28 de outubro de 2007 | 11h32

Soldados turcos mataram 15 militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) em confrontos ocorridos no leste da Turquia, neste domingo, 28, informaram fontes militares. O anúncio das novas mortes acontece no dia em que os governos do Iraque e do Irã reconheceram a necessidade de conter operações no Partido dos Trabalhadores o Curdistão (PKK) em seus respectivos países.   Veja também: Entenda o conflito entre turcos e curdos  ''Turquia tem direito de defender-se''   Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva    O Irã também tem população curda, e seu Exército entra em conflito freqüentemente no noroeste do país com milicianos curdos do rebelde Pejak (Partido para Vida Livre do Curdistão), aliado do PKK. Em visita ao Irã, o chanceler turco, Ali Babacan, e o ministro de Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, concordaram neste domingo, 28, na necessidade de pôr fim às "atividades terroristas" de rebeldes curdos.   Em entrevista coletiva em Teerã, Mottaki destacou a necessidade de "enfrentar essas atividades terroristas por meio da cooperação e das consultas entre os países da região".   O primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, conversaram por telefone e afirmaram que têm a obrigação de conter as atividades do PKK em seus respectivos países, "porque prejudicam os interesses de Iraque, Irã e Turquia", embora tenham destacado que "a força militar não é a única opção para resolver a crise (iraquiano-turca), que dever ser solucionada pela via diplomática".   A crise entre Bagdá e Ancara por causa dos ataques lançados pelo PKK em território turco do vizinho Iraque aumentou no último dia 21, quando 12 soldados turcos morreram nas mãos de combatentes do partido curdo e outros oito foram capturados. Desde então, a Turquia desdobrou mais de 100.000 soldados  na zona fronteiriça com o Iraque.   Não há informação ainda sobre baixas do exército turco nos combates deste domingo. Mais cedo, fontes militares informaram que uma operação de 8 mil homens foi lançada na região do centro-leste da Turquia.   Ancara está se preparando para uma possível incursão no norte do Iraque para combater as guerrilhas do PKK abrigadas na região, em meio à crescente pressão pública depois que 40 pessoas foram mortas pelos rebeldes no mês passado.   Pressionados por um possível ataque em larga escala da Turquia, militantes de um grupo separatista curdo que estão escondidos no norte do Iraque anunciaram no sábado que os oito soldados turcos capturados no dia 21 serão libertados em breve, informou a agência de notícias pró-curda Firat.   Apesar do anúncio do PKK, aviões turcos continuaram no sábado atacando campos de rebeldes curdos no norte do Iraque, após o fracasso das conversações diplomáticas em Ancara. O governo turco considerou insuficientes as propostas feitas por uma delegação iraquiana para conter as atividades do PKK no Iraque. Segundo Ancara, 3 mil militantes do grupo usam as montanhas iraquianas como base para seus ataques ao território turco. A Turquia atribui ao PKK a morte de 30 mil pessoas desde 1984, quando o grupo iniciou a luta armada pela criação de um Estado independente.   O governo turco exige a extradição de 153 líderes do PKK, mas o Iraque disse que poderia entregar apenas 18 e suas forças de segurança não têm condições de capturar os outros. No sábado, o premiê turco, Recep Erdogan, também criticou os países da União Européia por não extraditarem rebeldes curdos para a Turquia. Erdogan acusou esses países de não apoiar a luta turca contra os separatistas.

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