Turquia congela acordos militares com Israel por conta de ataque a frota

Contratos de defesa somam mais de US$ 5 bilhões referentes a compra de tanques e caças

estadão.com.br

17 de junho de 2010 | 08h41

JERUSALÉM - A Turquia congelou nesta quinta-feira, 17, acordos de defesa com Israel que somam bilhões de dólares por conta do ataque realizado pelo Estado judeu contra uma frota que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, ação que deixou nove ativistas turcos mortos, informou o jornal israelense Ha'aretz.

 

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Alguns dos 16 projetos congelados incluem um acordo de US$ 5 bilhões no qual Ancara receberia mil tanques Merkava Mark III de Israel, outro de US$ 50 milhões para melhorar os tanques M-60 da Turquia e um pacto de US$ 800 milhões para a compra de dois aviões de patrulha israelenses e um sistema de controle aéreo militar.

 

A Turquia também abandonou um acordo de US$ 632 milhões para a compra de 54 caças F-4 Phantom e um programa de US$ 75 milhões para a compra de 48 bombardeiros F-5. Os acordos bilaterais corporativos na área privada, porém, continuariam vigentes a não ser por decisão das próprias empresas.

 

A decisão sobre o setor da defesa foi feita após Israel se recusar a se desculpar pelo ataque contra a Frota da Liberdade no dia 31 de maio. Na ocasião, os militares abordaram seis barcos que tentavam furar o bloqueio israelense a Gaza para levar ajuda humanitária e mataram nove ativistas turcos, o que gerou condenação da comunidade internacional. Israel disse que seus soldados agiram em legítima defesa.

 

O governo turco disse que não sabe quando ou mesmo se irá enviar seu embaixador de volta a Israel, embora tal atitude dependeria da aceitação do Estado judeu em incluir membros internacionais na comissão que investiga o ocorrido. Segundo a imprensa turca, Ancara rejeitará o resultado das inspeções caso Israel não se desculpe pelo ataque.

 

"Um pedido de desculpas é a saída para Israel se eles quiserem normalizar as relações com a Turquia, e estamos firmes com nossas exigências", disse um diplomata citado pela imprensa turca. "Destruir esses laços é mais fácil que estabelecê-los. Mas estamos prontos para enfrentar o impacto negativo de cortar essas relações na eventual ausência de desculpas do lado israelense", continuou.

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