Turquia constrói muro para tentar proteger fronteira com a Síria

A Turquia começou a construir um muro junto à sua fronteira com a Síria, na tentativa de conter o contrabando, a imigração ilegal e a infiltração de combatentes da Al Qaeda envolvidos na guerra civil síria.

DASHA AFANASIEVA, Reuters

05 Maio 2014 | 11h09

Placas de concreto surgiram nos últimos dias, serpenteando por pouco mais de um quilômetro de terreno ondulado na província de Hatay, uma faixa de terra que pertenceu à Síria até o final da década de 1930 e onde há aldeias que prosperam com um intenso comércio ilícito de combustíveis, cigarros e muitos outros produtos.

A Turquia mantém uma política de fronteiras abertas desde o início da guerra civil síria, o que permite o acesso de suprimentos aos rebeldes e a saída de refugiados. Mas essa atitude acarretou custos, pois os sírios, acuados pelo conflito, recorrem cada vez mais ao contrabando para sobreviver.

Paralelamente, o governo turco é alvo de críticas por sua suposta complacência com a atividade de jihadistas na região. A consultoria International Crisis Group estima que mais de 75 cidadãos turcos já foram mortos em combates da Síria que "extravazaram" para o outro lado da fronteira.

"Os turcos são lembrados dos riscos à segurança por carros-bombas letais e incidentes armados em seu território, especialmente porque o norte da Síria continua sendo uma imprevisível terra de ninguém", disse o ICG em um relatório. "O conflito não foi culpa sua, mas o governo turco na prática se tornou parte dele."

Diante desses desafios, o muro parece ser um gesto apenas simbólico, começando numa aldeia chamada Kusakli, que um funcionário provincial descreveu como sendo um ponto ativo no contrabando da fronteira. A estrutura por enquanto tem cerca de um quilômetro, mas deve chegar a oito. No entanto, um funcionário alfandegário observou que a fronteira total (entre Turquia e Síria) tem 900 quilômetros. "Então não temos certeza da eficácia do muro", declarou.

As autoridades locais não souberam dizer o custo da obra, observando que a responsabilidade é dos militares, que não se pronunciaram sobre o assunto. Moradores duvidam da eficácia do muro para deter contrabandistas, mas acham que a estrutura prejudicará os refugiados legítimos. “

"Os grandes contrabandistas não podem ser contidos, eles têm arranjos especiais"”, disse um homem de meia idade, morador da aldeia fronteiriça de Bukulmez, que pediu anonimato e contou que já ajudou a trazer refugiados ilegalmente do outro lado da fronteira.

O filho dele, de 30 anos, está preso há 20 meses à espera de julgamento por contrabando. A filha, adolescente, disse que os contrabandistas costumavam ser muito ativos na região, mas por causa da repressão se transferiram para outro ponto da fronteira. "Nem uma ave passa", afirmou ela, olhando na direção da Síria.

(Reportagem adicional de Ozge Ozbilgin e Tulay Karadeniz em Ancara)

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