Turquia diz ter oferecido a Gaddafi 'garantia' para deixar Líbia

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse na sexta-feira que o seu país ofereceu uma "garantia" ao líder líbio Muammar Gaddafi se ele deixar a Líbia, mas disse que Ancara não recebeu nenhuma resposta.

REUTERS

10 de junho de 2011 | 20h42

"Parece que Gaddafi não tem outra escolha além de abandonar a Líbia aproveitando as garantias que foram oferecidas para ele", disse Erdogan em entrevista à rede de televisão NTV.

"Nós mesmos oferecemos essa garantia pelos representantes que enviamos. Dissemos que poderíamos ajudar a mandá-lo para qualquer lugar que ele queira. Nós iríamos discutir a questão com os nossos aliados, de acordo com a resposta que recebêssemos. Infelizmente, ainda não tivemos resposta de Gaddafi."

Erdogan, que representa um país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), não especificou o tipo de garantia que a Turquia ofereceu a Gaddafi.

A muçulmana Turquia tem considerável laços comerciais com a Líbia e retirou mais de 20 mil cidadãos que trabalhavam no país desde que a violência tomou a nação no norte africano.

Desde o início dos levantes contra o regime de Gaddafi em fevereiro, Erdogan se distanciou do líder líbio. O governo turco pediu a Gaddafi em várias ocasiões para determinar um cessar-fogo e renunciar para permitir a transição de poder.

Em entrevista, Erdogan expressou frustração com o que classificou de manobras para ganhar tempo de Gaddafi.

"Eu entrei em contato com ele seis ou sete vezes. Enviei os nossos representantes especiais, mas nós sempre enfrentamos manobras para ganhar tempo. Eles nos dizem que buscam um cessar-fogo e nós dizemos para eles fazerem algo nesse sentido, mas no dia seguinte você descobre que algumas cidades foram atacadas."

Ele acrescentou: "Perguntando a eles 'o que vocês estão fazendo?' e eles nos dizem que atiraram porque foram atacados primeiro. Não havia nada disso. Estávamos acompanhando atentamente naquela época."

(Reportagem de Ece Toksabay)

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