Turquia elege Parlamento que escolherá próximo presidente

Pesquisas sugerem que o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), do governo, manterá a maioria no Parlamento

Associated Press,

21 Julho 2007 | 16h32

A campanha eleitoral turca foi encerrada neste sábado e a população prepara-se para votar, domingo, para um novo Parlamento, que irá enfrentar uma série de desafios: as eleições presidenciais, a violência dos rebeldes curdos na fronteira com o Iraque e uma crescente divisão sobre o papel do islã na sociedade.   As eleições deste domingo foram antecipadas para evitar uma crise política em relação à escolha do candidato à Presidência indicado pelo partido islâmico do governo.   A Turquia obteve grandes progressos depois do caos econômico e político das décadas anteriores, mas alguns temem que o resultado das eleições possam aprofundar as divisões na nação de maioria muçulmana, com uma população de 73 milhões de pessoas. "Parece que este novo governo também encontrará dificuldade para eleger o presidente. A  situação atual parece muito indefinida", disse um universitário de 22 anos.   A Turquia tem uma volumosa classe de muçulmanos, liderados pelo atual partido do governo, com o desejo de instituir reformas no país ao estilo ocidental, a fim de fortalecer a economia e tornar-se membro da União Européia.   O sucesso deste grupo tem sido considerado uma prova de que o islã e a democracia podem coexistir, embora seus detratores acusem o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e seu aliados de tramar contra a tradição do secularismo. Muitos destes oponentes ao governo constituem a elite do país e têm raízes em instituições estatais, como a Corte de Justiça e o Exército - defensores do secularismo implementado por Mustafa Kemal Ataturk.   As pesquisas pré-eleitorais sugerem que o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), do governo, manterá a maioria das 550 cadeiras do Parlamento, embora numa menor margem do que obteve nas eleições de 2002.   O Partido do Povo Republicano deve continuar como principal opositor do partido do governo; o partido de extrema esquerda Ação Nacionalista, que parece partilhar de algumas políticas do governo e da oposição, também deve entrar na composição do Parlamento.   É proibido realizar campanha no domingo, quando cerca de 42,5 milhões de pessoas são elegíveis a votar em aproximadamente 160 mil locais. Estão concorrendo ao Parlamento 14 partidos e 700 candidatos independentes. Os partidos têm de obter pelo menos 10% dos votos para ter representação no Parlamento.   Um dos primeiros trabalhos do novo Parlamento será eleger o próximo presidente da Turquia, um posto cerimonial, mas com poderes para vetar leis aprovadas no legislativo e nomeações do governo.   Em maio, o aliado de Erdogan, o ministro das Relações Exteriores, Abdullah Gul, abandonou sua candidatura após forte oposição dos defensores do secularismo. Segundo eles, a eleição de Gul poderia remover o último obstáculo ao domínio islâmico do governo.   Outro desafio do novo Parlamento será decidir se a Turquia, uma país-membro da Otan, deverá lançar ofensiva no norte do Iraque, onde rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) se encontram. Os Estados Unidos são contra uma incursão.   A Turquia ameaçou entrar na região se as negociações em relação aos problemas, previstas para após as eleições, com o Iraque e os Estados Unidos não forem produtivas.

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