Turquia fecha partido acusado de apoiar terrorismo curdo

Decisão pode prejudicar o processo de reconciliação entre o Estado e a minoria curda

Agência Estado e Associated Press,

11 de dezembro de 2009 | 17h19

O principal tribunal da Turquia fechou nesta sexta-feira, 11, um partido político pró-curdo, sob a acusação de que a legenda tem ligação com rebeldes curdos. A decisão pode prejudicar o processo de reconciliação entre o Estado e a minoria curda.

 

Hasim Kilic, presidente da Corte Constitucional, disse que o partido se tornou "um ponto focal de atividades contra a união do Estado" com suas "ações e ligações com a organização terrorista", uma referência do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, que tem lutado pela autonomia do Estado turco desde 1984.

Kilic disse também que o tribunal expulsou ainda o presidente do Partido da Sociedade Democrata, Ahmet Turk, e outro legislador, Aysel Tugluk, do Parlamento. Os dois políticos, além de outros 35 integrantes do partido, estão proibidos de se filiar a qualquer partido político por cinco anos. "Um partido político não tem a liberdade para elogiar atos ou declarações que envolvam terrorismo e violência", disse Kilic. "Um partido político deve agir de acordo com valores democráticos."

O Judiciário fechou vários partidos curdos por acusações semelhantes no passado. O predecessor do Partido da Sociedade Democrática foi dissolvido em 2005. O partido é o 27º a ser fechado na Turquia desde 1968. O banimento do partido, que tinha quatro anos de existência, é um retrocesso nos esforços para trazer os líderes pró-curdos para o sistema político e pode aumentar a tensão com os curdos, que são cerca de 20% da população da Turquia, de 70 milhões.

A Turquia tenta fazer parte da União Europeia, mas o bloco afirma que as leis turcas que permitem o banimento de partidos políticos são incompatíveis com as convenções europeias sobre direitos de liberdade de reunião. A União Europeia e os EUA consideram o PKK uma organização terrorista.

"A Turquia não pode resolver o problema fechando partidos, mas por meio da lógica", disse o líder curdo Turk, cuja recusa em chamar o PKK de grupo terrorista irritou muitos turcos. "Apesar de tudo isso, a Turquia um dia vai abraçar a paz. Nossa expectativa é que este processo não demore muito".

Protestos

Também nesta sexta, rebeldes atiraram e feriram três soldados turcos nas proximidades da cidade de Semdinli, sudeste do país, informou a agência de notícias Anatolia. No início desta semana, rebeldes curdos mataram sete soldados turcos numa emboscada numa região central da Turquia.

Partidários dos rebeldes realizaram protestos nesta sexta-feira no sul do país, onde os curdos são maioria. Eles jogaram pedras contra prédios que abrigam famílias de militares e iniciaram pequenos incêndios na cidade de Hakkari, perto das fronteiras com o Iraque e o Irã. A polícia respondeu com canhões de água para dispersar a multidão, informou a Anatolia.

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