Turquia inicia sanções econômicas contra o norte do Iraque

Exército reforça combates e bombardeia saídas para o Iraque, cercando pelo menos 100 rebeldes curdos

Agências internacionais,

29 de outubro de 2007 | 09h04

A Turquia começou uma série de sanções econômicas contra o norte do Iraque, recomendadas pelo Conselho de Segurança Nacional, para lutar contra o grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que tem suas bases no local, informou nesta segunda-feira, 29, a imprensa local.    Veja também: Entenda o conflito entre turcos e curdos  ''Turquia tem direito de defender-se''   Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva    Em entrevista publicada no jornal econômico Referans, o presidente do Conselho de Relações Econômicas entre Turquia e Iraque, Ercüment Aksoy, disse que as sanções contra o Iraque já começaram. Ele afirmou que os vôos entre a Turquia e Erbil, capital da Região Autônoma do Curdistão iraquiano, foram cancelados.   Entre as medidas exigidas pelo Conselho de Segurança, está a repatriação das empresas turcas e o fechamento da única passagem fronteiriça entre a Turquia e o Iraque, a passagem de Habur, atravessada por 2.500 caminhões a cada dia.   O Exército turco intensificou os ataques contra os guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e mantém cercados há dois dias cerca de cem rebeldes no sudeste do país, informou nesta segunda a rede de televisão NTV.   Os soldados enfrentaram cerca de 100 militantes do PKK no sábado na província sudeste turca de Hakkari e conseguiram cercar cerca de cem deles quando fugiam para as montanhas de Ikiyaka, perto da fronteira com o Iraque.   Tropas turcas mataram no domingo 20 rebeldes curdos, na maior ofensiva contra militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no leste da Turquia, disseram fontes militares.   A operação envolveu 8 mil soldados e helicópteros artilhados e ocorreu na província predominantemente curda de Tuncelli, a centenas de quilômetros da fronteira com o Iraque, onde as ações militares dos últimos dias estavam sendo lançadas. Na região, um soldado foi morto ao pisar em uma mina terrestre plantada por rebeldes, onde o Exército realiza uma operação separada contra as guerrilhas do PKK.   O governo e a cúpula militar da Turquia deram repetidas mostras de impaciência nos últimos dias, após vários incidentes armados entre o Exército e os guerrilheiros curdos no norte do Iraque, e ameaçaram realizar uma operação além da fronteira para neutralizá-los.   Segundo a agência oficial Anatólia, as tropas conseguiram bombardear as passagens nas montanhas usadas pelos rebeldes para escapar para suas bases no Iraque e os obrigaram a permanecer escondidos em cavernas.   Os militares estão pressionando com operações terrestres e aérea. Soldados, apoiados por helicópteros, estão combatendo rebeldes na província turca de Sirnak, na fronteira com o Iraque.   O ministro do Exterior iraquiano, Hoshyar Zebari, advertiu a Turquia de que uma incursão militar contra a guerrilha curda baseada no norte do Iraque poderá ter sérias conseqüências.   Zebari disse à BBC que a crise atual é "extremamente séria" e acusou a Turquia de não procurar uma solução pacífica.   Ele disse que a Turquia não demonstrou nenhum interesse nas propostas iraquianas para acalmar a situação. Zebari disse que Ancara exigiu que o Iraque entregasse os líderes do PKK, mas ele afirmou que seria impossível. "Eles não estão sob nosso controle de fato. Eles estão armados, nas montanhas", disse ele.   Falando à rede de TV Al Jazeera, Barzani insistiu que não vai entregar ninguém à Turquia, mas acrescentou que também não vai deixar que a região seja usada como base para um grupo rebelde.   A guerrilha costuma atacar soldados turcos e é acusada pelo governo turco de usar a região curda semi-autônoma do norte do Iraque como um refúgio. Segundo Ancara, 3 mil militantes do grupo usam as montanhas iraquianas como base para seus ataques ao território turco. A Turquia atribui ao PKK a morte de 30 mil pessoas desde 1984, quando o grupo iniciou a luta armada pela criação de um Estado independente.

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