Turquia pode invadir Iraque 'a qualquer momento', diz premiê

Após rejeitar o cessar-fogo proposto pela guerrilha curda, Erdogan busca apoio internacional para ofensiva

Reuters,

23 de outubro de 2007 | 09h52

Soldados da Turquia podem entrar no norte do Iraque em busca de rebeldes curdos "a qualquer momento" segundo os termos de uma autorização do Parlamento, afirmou nesta terça-feira, 23, o primeiro-ministro Tayyip Erdogan.   Veja também:  Turquia rejeita trégua proposta por rebeldes  Rebeldes curdos do PKK anunciam cessar-fogo Turquia reforça tropas na fronteira iraquiana Entenda o conflito entre turcos e curdos  ''Turquia tem direito de defender-se''   Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva   "Neste momento, estamos em compasso de espera, mas o Iraque deveria saber que podemos usar a autorização (parlamentar) para uma operação através da fronteira a qualquer momento", disse Erdogan em entrevista a jornalistas em Londres, ao lado do premiê britânico, Gordon Brown.   O premiê britânico condenou "totalmente" e "sem dúvidas" a violência PKK contra soldados turcos na fronteira entre a Turquia e o Iraque. Ele garantiu ainda que trabalhará para alcançar uma solução diplomática.   Na semana passada, o Parlamento turco deu permissão às tropas do país para conduzir incursões no norte do Iraque, mas o governo de Erdogan já assinalou que ainda tentará resolver o conflito com rebeldes separatistas pelos canais diplomáticos.   A Turquia diz que quer usar a diplomacia para resolver a crise, mas está sendo pressionada pelo público e por grupos militares a usar a força contra integrantes do partido curdo PKK que entram em seu território pela fronteira entre os dois países.   Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores turco,  Ali Babacan, recusou em coletiva com o chanceler iraquiano, Hoshyar Zebari, qualquer proposta de cessar-fogo dos rebeldes curdos instalados no norte do Iraque.    "Nossa preferência é pela diplomacia, mas a opção militar, sem dúvida, é um método na luta contra o terrorismo", afirmou ainda na segunda-feira Babacan antes do encontro com o representante iraquiano em Bagdá.   Em declarações após o encontro com o ministro das Relações Exteriores turco, Zebari garantiu que seu país vai ajudar a Turquia a lidar com a "ameaça" dos rebeldes curdos do PKK. "Nós decidimos que a posição que devemos adotar é de lutar juntos contra o terrorismo onde quer que esteja e não vamos permitir que nenhum partido ou grupo, incluindo o PKK, envenene nossas relações bilaterais".   Os Estados Unidos voltaram a pedir ao Iraque que tome medidas urgentes contra os insurgentes para afastar a ameaça de ataque turco no norte do país.   Erdogan disse para o jornal turco Hürriyet que recebeu um telefonema da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. "Ela deseja uma ação conjunta", disse, antes de embarcar rumo ao Reino Unido.   O representante da Turquia nas Nações Unidas, Baki Ilkin, advertiu que a paciência de seu país tem limite. "O Iraque tem que fazer alguma coisa", afirmou Ilkin em entrevista à BBC. "Nós temos incursões em território turco. Nós não podemos pegá-los porque eles voltam imediatamente para o norte do Iraque."   A emboscada de domingo do PKK perto da fronteira iraquiana inflamou a opinião pública na Turquia, onde meios de comunicação e líderes da oposição pediram ataque imediato contra os rebeldes. Os rebeldes teriam dito que capturaram vários soldados turcos depois do ataque no domingo, que matou 12 militares. O Exército turco confirmou apenas que oito soldados ainda estão desaparecidos.

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