Turquia reforça tropas na fronteira com Iraque

Exército turco amplia efetivo na fronteira enquanto delegação iraquiana tenta conter incursão no país

Agências internacionais,

26 de outubro de 2007 | 10h50

Helicópteros levaram nesta sexta-feira, 26, mais soldados turcos para a fronteira com o Iraque, enquanto prosseguem em Ancara os esforços diplomáticos de representantes turcos e iraquianos para evitar uma grande ofensiva militar contra guerrilheiros curdos estabelecidos no norte iraquiano.  Veja também: Entenda o conflito entre turcos e curdos  ''Turquia tem direito de defender-se''   Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva A agência estatal de notícias Anatólia disse que helicópteros Cobra e caças militares também bombardearam esconderijos da guerrilha curda PKK, descobertos após missões de reconhecimento ao longo da fronteira e dentro do território da Turquia, país que tem o segundo maior Exército da Otan. Diplomatas iraquianos, turcos e americanos ampliaram seus esforços para evitar uma incursão turca em grande escala, embora o premiê e o presidente da Turquia repetiram várias vezes que o país não vai tolerar novos ataques do PKK. Uma delegação iraquiana iniciou na sexta-feira em Ancara conversas com autoridades civis e militares da Turquia. O ministro iraquiano da Defesa, general Abdel Qader Jassim, chefe da delegação, disse a jornalista que o grupo foi à Turquia levando propostas concretas, as quais entretanto ele não detalhou.  As autoridades concentraram 100 mil soldados ao longo da montanhosa fronteira, preparando uma eventual operação em território iraquiano contra os cerca de 3.000 militantes separatistas do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), responsáveis por freqüentes ataques contra a Turquia, usando como base o território iraquiano. "Estamos deslocando mais tropas de outras províncias para a província de Sirnak", disse uma fonte militar, sob anonimato, à Reuters no sudeste da Turquia. A maior parte da concentração de tropas ocorre nas províncias fronteiriças de Hakkari e Sirnak. Forças de segurança disseram à Reuters que dez helicópteros Sikorsky com tropas e equipamentos decolaram da cidade de Yusekova, na província de Hakkari, e rumaram para a região de Daglica, perto da fronteira. No domingo, rebeldes atacaram uma base militar turca na fronteira com o Iraque, matando 12 soldados. O Exército respondeu ao ataque, matando 34 separatistas. Na quinta, o Exército turco afirmou que pelo menos 30 rebeldes foram mortos na terça-feira quando se preparavam para atacar uma unidade militar na Província de Semdinli, perto da fronteira com o Iraque. Com isso, subiu para pelo menos 64 o número de militantes do PKK mortos. O governo americano teme que uma ação militar turca em larga escala no norte do Iraque desestabilize não apenas a área mais pacífica do país, mas toda a região. "(Os EUA) podem não querer que lancemos uma operação do outro lado da fronteira. Mas somos nós que decidiremos se e quando ela será lançada", disse o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, durante visita à Romênia. O embaixador americano em Bagdá, Ryan Crocker, admitiu na quinta que as forças de segurança iraquianas não têm condições de confrontar os rebeldes curdos, mas disse que o governo de Bagdá tem de adotar medidas concretas para contê-los. Ele sugeriu que as forças do Iraque devem tentar prender os membros do PKK quando eles saírem de seus esconderijos nas montanhas de Qandil - no Curdistão iraquiano - e impedir o abastecimento de suas bases.

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