Ben Curtis/AP
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TV líbia reproduz áudio de Kadafi desafiando Otan

Porta-voz do governo líbio diz que líder está vivo e chama informações sobre morte de 'absurdas'

REUTERS

13 de maio de 2011 | 17h38

TRÍPOLI - A TV estatal da Líbia transmitiu nesta sexta-feira, 13, gravação em áudio de declarações feitas por Muamar Kadafi em que o líder líbio afirma que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) faz uma "cruzada covarde" e que está em um lugar onde a organização não conseguirá encontrá-lo.

 

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Os comentários foram ao ar depois que o ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, disse que Kadafi teria provavelmente deixado a capital da Líbia e que teria sido ferido pelos ataques aéreos da Otan.

 

"Digo aos guerreiros covardes que estou num lugar que não podem me encontrar nem me matar", disse Kadafi na mensagem transmitida pela rede de TV Al-Jamahiriya. Ele acrescentou que estava fazendo a declaração após ter recebido um grande número de ligações perguntando sobre sua condição após um ataque da Otan ao complexo dele, na quinta-feira, 12.

 

O chanceler italiano disse que ouviu o relato sobre Kadafi do bispo católico de Trípoli, Giovanni Innocenzo Martinelli. "Eu costumo dar crédito aos comentários do bispo de Trípoli, o monsenhor Martinelli, que tem estado em contato estreito conosco nas últimas semanas, quando nos disse que Kadafi está 'muito provavelmente' fora de Trípoli e deve estar ferido. Nós não sabemos onde e como", disse Frattini a repórteres na Itália. Uma autoridade da Otan em Nápoles disse à Reuters não ter qualquer informação sobre a informação divulgada por Frattini.

 

Aliados da organização, incluindo os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, estão bombardeando a Líbia, como parte de um mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) para proteger os civis. Os bombardeios não vão parar até que o regime de 41 anos do líder líbio seja derrubado, disseram eles.

Kadafi está enfrentando um levante de três meses por rebeldes que controlam Benghazi e a região produtora de petróleo no leste do país. O governo acusa os rebeldes de serem criminosos armados e simpatizantes da Al-Qaeda, e diz que os ataques aéreos da Otan são um ato de agressão colonialista.

 

Casa Branca

 

Os rebeldes encontraram-se com altos funcionários da Casa Branca em Washington na sexta-feira para conseguir dinheiro e legitimidade diplomática para sua batalha. Os rebeldes também estão fazendo um apelo por fundos para ajudá-los a manter posições já conquistadas.

A televisão estatal da Líbia disse que um ataque da Otan na cidade de Brega, na sexta-feira, matou pelo menos 16 civis e feriu até 40. A TV mostrou imagens de pelo menos nove corpos com ferimentos múltiplos, embrulhados em cobertores, em um local desconhecido.

Ataques com mísseis pela forças estacionadas de Kadafi contra rebeldes nos arredores de Misrata mataram dez pessoas e feriram 20, disse um médico. "Cinco casas foram destruídas, dois bebês foram mortos. A mãe foi ferida e a irmã de quatro anos está sendo operada e corre o risco de amputação de uma perna", disse um médico, que deu o nome de Khalid, por telefone, de Misrata. O relato também não pôde ser verificado por outras fontes.

As forças de Gaddafi foram expulsas da cidade portuária desde que os rebeldes tomaram o aeroporto nesta semana, mas Misrata continua vulnerável a ataques de mísseis pelo leste e oeste, disse ele. "O perigo que enfrentamos agora são os foguetes disparados de longe, de 25 quilômetros ou mais".

A guerra obrigou milhares de líbios a fugir, muitas vezes por águas perigosas. Migrantes tentando escapar pelo mar têm uma em dez chances de morrer no mar Mediterrâneo, em viagens em condições terríveis, superlotadas e em barcos despreparados, disse na sexta-feira a agência de refugiados da ONU.

Cerca de 12 mil imigrantes chegaram nos centros de acolhimento em Malta e na Itália, enquanto ao redor de 1,2 mil estão desaparecidos, presumivelmente mortos.

Kadafi, que assumiu o poder num golpe em 1969 e diz que tem o apoio de seu povo, se recusou a renunciar. Os rebeldes dizem que não confiam em suas ofertas de um cessar-fogo.

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