Tzipi Livni vence eleições em Israel, aponta boca de urna

Pesquisas indicam que ministra do Exterior teve vantagem de 10 pontos; Kadima escolhe sucessor de Olmert

Reuters e AP,

17 de setembro de 2008 | 16h36

A ministra do Exterior israelense, Tzipi Livni, deve obter uma ampla vitória nas eleições primárias de Israel que elegem o sucessor do primeiro-ministro Ehud Olmert na liderança do partido da situação, o Kadima, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas por emissoras locais. Duas sondagens, dos Canais 1 e 10, indicam que Livni teve 10 pontos de vantagem sobre o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz.   Veja também: Livni terá que provar resistência política Livni se diz decepcionada com baixa participação nas eleiçoes Inexperiência é barreira para a popular Livni   As pesquisas, divulgadas após o fechamento das urnas na tarde desta quarta-feira, 17, diziam que Livni poderia vencer com mais de 40% dos votos, o que evitaria um segundo turno.  No final da tarde, ela declarou vitória em uma conferência com seus apoiadores em uma rádio local. "Vocês foram incríveis, e os bons venceram", disse Livni. Antes de tudo, continuou a chanceler, "não quero desapontar nenhum de vocês e fazer todas aquelas coisas para as quais vocês lutaram."   Se for eleita, a ministra de 50 anos será a primeira premiê israelense desde Golda Meir, que assumiu o cargo na década de 1970. Embora o anúncio dos resultados oficiais esteja previsto para as primeiras horas de quinta-feira (noite desta quarta no Brasil), os assessores de campanha de Livni já dão como certa sua vitória.   Olmert, que enfrenta investigações por corrupção, indicou que espera apenas o resultado para apresentar sua renúncia. Ele está sendo investigado pelas acusações de ter recebido ilegalmente US$ 150 mil de um empresário americano e de ter pedido dinheiro a vários departamentos do governo para as mesmas viagens ao exterior quando era prefeito de Jerusalém. Entretanto, o premiê planeja continuar nas negociações de paz com os palestinos apoiadas pelos Estados Unidos, enquanto Livni tentará formar uma nova coalização governista.   Formada em direito, Livni foi agente do Mossad - o serviço secreto externo de Israel - e começou na política em 1999, quando foi eleita para o Parlamento. Como chanceler, ela liderou as negociações de paz com os palestinos.   Mesmo se Livni for eleita, poucos arriscam a dar palpites sobre o que ocorrerá após as primárias. Primeiro, porque muitos no Kadima duvidam da habilidade da chanceler em obter apoio de outros partidos para a coalizão. Ela pediu a saída de Olmert depois da publicação de um relatório apontando falhas na guerra contra o Líbano, em 2006. Nem ela nem ele saíram.   Há ainda incertezas sobre a própria força do Kadima, formado há menos de três anos pelo então premiê Ariel Sharon, afastado em 2006 após um derrame e ainda em coma. Assim que o vencedor da eleição for anunciado - provavelmente na quinta -, ele terá 42 dias para obter o apoio da maioria dos 120 parlamentares e formar um novo governo.   Apoio de Olmert   Olmert telefonou para Livni para parabenizá-la, também apontando-a como vencedora do pleito. "O primeiro-ministro desejou sucesso a ela e os dois concordaram em se encontrar. A primeira-ministra Livni irá receber total cooperação", declarou o escritório do premiê em comunicado.   Expectativas   O analista Sumuel Sandler disse que "teremos de esperar para ver" se Livni será uma primeira-ministra forte, mas afirmou que "em Washington vão ficar muito contentes com este resultado, pois ela é ótima amiga da Condoleezza [Rice, secretária de Estado dos EUA]." Dona de uma imagem de honestidade - contrastando com a sucessão de escândalos que culminou em Olmert -, Livni disse em nota na manhã desta quarta que esta seria "uma segunda chance de moldar a imagem de Israel, consertar o dano e colocar o bem do país e de seu povo no centro". Advogada de direito comercial antes de entrar na carreira política, casada com um próspero empreendedor, a ministra provavelmente manterá as políticas de livre-mercado do atual governo. "Ela aparece como a "Senhora Limpa", o que lhe deu ímpeto, e a mídia estava do seu lado. Mas ela ainda terá de formar uma coalizão. Embora isso fique mais fácil se a margem da sua vitória se mostrar tão grande quanto as pesquisas sugerem", conclui o analista.     (Matéria atualizada às 19h10)  

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