Tzipi Livni vence eleições em Israel, diz boca-de-urna

Líder do partido centrista Kadima deve se tornar a 1.ª premiê mulher do país em 40 anos; Likud crê em vitória

da Redação, com agências internacionais,

10 de fevereiro de 2009 | 18h04

 JERUSALÉM - Tzipi Livni, líder do partido centrista Kadima, venceu as eleições para primeiro-ministro de Israel, apontam pesquisas de boca-de-urna divulgadas pela imprensa israelense nesta terça-feira, 10. As sondagens indicam que a atual chanceler de 50 anos derrotou o favoritismo de Benjamin Netanyahu, do direitista Likud, em uma vitória apertada. Segundo duas enquetes divulgadas por redes de TV locais, o Kadima, partido da situação, assegurou 30 assentos no novo Parlamento, enquanto o Likud elegeu 28 representantes. Por sua vez, outra emissora (Canal 2) indicou que o Kadima conquistou 29 assentos, contra 27 do Likud. Veja também:Vantagem estreita pode impedir Livni de tornar-se premiêPróximo governo israelense será 'mais terrorista', diz HamasPerfil: Livni, a 'senhora limpa' da política israelense Enviado do 'Estado' comenta expectativas Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Quem tem medo de Avigdor Lieberman? Conheça os principais partidos israelenses  Pouco após a divulgação da boca-de-urna, o Likud disse estar confiante na vitória. "Benjamin Netanyahu será o próximo primeiro-ministro", declarou a legenda em comunicado, destacando que o bloco direitista poderá conquistar uma maioria parlamentar e Livni cairá rapidamente - em Israel, o primeiro-ministro não é necessariamente quem conquistou mais votos, mas sim aquele que conseguiu formar uma coalizão de governo.  Ainda segundo as sondagens iniciais, o partido Yisrael Beiteinu (Nossa Casa é Israel), de Avigdor Lieberman, deve obter 14 ou 15 cadeiras enquanto que o Trabalhista, do ministro da Defesa Ehud Barak, 13. Quando votou pela manhã, Livni, que aparecia em segundo lugar nas enquetes durante a campanha, pediu aos israelenses que não votassem "a partir do desespero e do medo, mas da esperança". Se confirmada sua vitória, Livni pode se tornar a primeira mulher a dirigir Israel em 40 anos. Ex-espiã da Mossad, ela prometeu manter as conversas de paz com os palestinos, buscando uma solução de dois Estados.  Mulher mais poderosa em Israel desde a primeira-ministra Golda Meir, nos anos 1970, Livni ameaçou ofensivas militares mais duras na Faixa de Gaza se o frágil cessar-fogo iniciado em 18 de fevereiro falhar. Ex-advogada de empresa, ela é também a negociadora-chefe israelense com os palestinos. Seu fracasso em formar um novo governo de coalizão após a renúncia, em setembro, do primeiro-ministro Ehud Olmert, também do Kadima, em um escândalo de corrupção, forçou as eleições antecipadas.  O pleito desta terça-feira em Israel transcorreu normalmente. Durante a manhã o comparecimento na eleição foi maior que o registrado na votação de 2006 no mesmo período. Porém, no fim da tarde (hora local) estava em apenas 42% dos eleitores habilitados. O número registrado pode ficar, segundo analistas, abaixo dos 63,5% de 2006 e mesmo abaixo dos 62,3% de 2001, pior índice da História do país. Sistema de votação Para ser escolhido premiê, o complexo sistema eleitoral israelense exige do candidato uma coalizão com 61 dos 120 membros do Parlamento. O presidente manterá consultas com os diferentes partidos e deverá dar a missão de formar o governo ao candidato em melhor posição para consolidar uma maioria de 61 deputados.  Para essa tarefa, o escolhido terá 28 dias, ampliáveis a mais duas semanas. Olmert ficará no cargo até que o novo gabinete tome posse. Os resultados oficiais serão divulgados no próximo dia 18 de fevereiro e o Parlamento formado após as eleições entrará, de forma interina, em 2 de março. (Matéria atualizada às 19h30) 

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