UE impõe sanções à família de Assad; morteiros atingem Homs

A União Europeia impôs sanções sobre a mãe, a irmã e a esposa do presidente sírio, Bashar al-Assad, nesta sexta-feira, aumentando a pressão sobre a Síria para deter sua ofensiva sangrenta contra uma revolta que já dura um ano.

CRIS, REUTERS

23 Março 2012 | 14h51

As três estavam entre os 12 sírios acrescentados a uma lista de figuras que já sofreram sanções, como proibições de viajar pela União Europeia e congelamento de bens, disseram diplomatas. Ministros de Relações Exteriores em Bruxelas também barraram empresas europeias de negociar com duas empresas de petróleo sírias.

"Com esta nova listagem, estamos atingindo o coração do clã Assad, enviando uma mensagem alta e clara para o Sr. Assad: ele deveria renunciar", disse o ministro das Relações Exteriores holandês, Uri Rosenthal.

A decisão veio em um dia de mais violência ao redor da Síria, com o Exército disparando pelo menos 24 tiros de morteiro na cidade de Homs, no centro da Síria, matando até oito civis, segundo partidários da oposição.

Imagens ao vivo da televisão mostraram uma série de manifestações anti-Assad por toda a Síria, incluindo no distrito de Barzeh, em Damasco, no noroeste da cidade de Hama, em Qamishli, no leste curdo, e na cidade de Deraa, ao sul.

"Damasco, aqui vamos nós", diziam cartazes carregados pelas multidões relativamente pequenas. Ativistas disseram que oito pessoas ficaram feridas depois que manifestações perto de cinco mesquitas de Damasco foram interrompidas.

Na frente diplomática, o enviado da ONU e da Liga Árabe Kofi Annan, que está liderando os esforços internacionais para deter a desordem implacável, planejava viajar para Moscou e Pequim neste fim de semana para conversar sobre a crise, informou seu porta-voz.

Rússia e China têm resistido às exigências ocidentais e árabes para que Assad deixe o cargo e vetaram duas resoluções da ONU altamente críticas a Damasco. No entanto, eles apoiaram uma declaração do Conselho de Segurança esta semana pedindo a paz, em um movimento que analistas viram como um sinal de que estavam adotando uma postura mais dura contra a Síria.

Ainda assim, tanto a Rússia quanto a China votaram contra um apelo do Conselho de Direitos Humanos da ONU na sexta-feira para estender uma investigação sobre as violações cometidas pelas forças sírias. A moção foi aprovada de qualquer forma, com 41 dos 47 membros do fórum votando a favor.

As novas sanções da UE se somam às 12 rodadas anteriores de sanções destinadas a isolar Assad, incluindo um embargo de armas e uma proibição de importação de petróleo sírio pela União Europeia.

Uma lista completa dos alvos das sanções será divulgada no sábado, quando a decisão entrar em vigor, mas diplomatas confirmaram que a lista incluía a mulher do presidente sírio, Asma.

Ex-funcionária de um banco de investimentos, Asma cultivou a imagem de uma mulher deslumbrante, mas focada, com fortes valores inspirados no Ocidente, que deveria humanizar a isolada família Assad, que comanda a Síria com pulso de ferro há mais de 40 anos.

Mas essa imagem se desfez no último ano, e ela se manteve resoluta ao lado do marido, descrevendo-se como a "verdadeira ditadora" em um email publicado pelo jornal britânico Guardian na semana passada.

(Reportagem adicional de Justyna Pawlak, Stephanie Nebehay e Tom Miles)

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