UE proíbe petróleo iraniano; Teerã responde com ameaça

A União Europeia proibiu a importação de petróleo do Irã nesta segunda-feira e impôs várias sanções econômicas à República Isl6amica, unindo-se aos Estados Unidos em uma nova rodada de medidas que visam a interromper o programa de desenvolvimento nuclear de Teerã.

JUSTYNA PAWLAK E HOSSEIN JASEB, REUTERS

23 de janeiro de 2012 | 12h51

No Irã, um político respondeu renovando uma ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz, uma rota de exportação de petróleo vital para a economia mundial, e outra autoridade disse que Teerã deveria cortar o envio de petróleo à UE imediatamente.

Isso pode prejudicar países como Grécia, Itália e outras economias enfraquecidas que dependem fortemente do petróleo iraniano e que obtiveram, como parte de um acordo da UE, um período de carência até 1o de julho antes que o embargo tenha efeito total.

Um dia depois de um porta-aviões norte-americano, acompanhado de uma flotilha que incluiu navios de guerra franceses e britânicos, fazer uma viagem simbólica ao Golfo Pérsico, desafiando a hostilidade iraniana, as sanções europeias devem aumentar a retórica bélica em uma região já bastante tensa.

Alguns analistas dizem que o Irã, que nega as acusações de que está buscando armas nucleares, poderia estar em posição de fabricá-las no próximo ano. Com Israel advertindo que poderia usar a força para evitar que isso aconteça, a contenda sobre os planos de Teerã é um desafio cada vez maior para os líderes mundiais, principalmente para o presidente norte-americano, Barack Obama, em meio a uma campanha para a reeleição em novembro.

Em uma reunião em Bruxelas, os ministros das Relações Exteriores dos 27 países-membros da UE, que como bloco é o segundo maior consumidor do petróleo iraniano, depois da China, concordaram em uma proibição imediata a todos os novos contratos para importar, comprar ou transportar o petróleo bruto e os produtos derivados do petróleo do Irã. No entanto, países europeus com contratos já em vigor para comprar o petróleo e produtos derivados podem honrá-los até 1o de julho.

Autoridades da UE também concordaram em congelar os ativos do Banco Central do Irã e proibir o comércio de ouro e outros metais preciosos com o banco e órgãos estatais iranianos.

Junto com as sanções norte-americanas impostas em 31 de dezembro, as potências ocidentais esperam estrangular as exportações e assim forçar o Irã a concordar em colocar freios ao programa nuclear que o Ocidente diz que visa à fabricação de armas.

UE BUSCA NEGOCIAÇÕES

A chefe da política externa da UE, Catherine Ashton, disse: "Eu quero que a pressão dessas sanções resulte em negociações. Quero o Irã de volta à mesa e que ele ou aceite todas as ideias que colocamos na mesa... no ano passado... ou apareça com suas próprias ideias".

Ultimamente, o Irã vem dizendo que está disposto a negociar com as potências ocidentais, embora haja sinais mistos sobre se as condições impostas por cada lado tornariam as novas negociações possíveis.

A República Islâmica insiste que está enriquecendo urânio apenas para uso civil. E tem defensores poderosos contra a ação ocidental na forma de Rússia e China, que argumentam que as novas sanções são desnecessárias, e também pode contar com a China e outros países asiáticos para vender seu petróleo, apesar dos esforços europeus e norte-americanos de dissuadi-los.

Um membro da influente Assembleia de Peritos do Irã, o ex-ministro da Inteligência Ali Fallahian, disse que Teerã deveria responder às sanções europeias suspendendo a venda ao bloco imediatamente, negando assim aos europeus tempo para achar outros fornecedores e prejudicando suas economias com o aumento do preço do petróleo.

"A melhor maneira é parar de exportar o petróleo nós mesmos antes do fim dos seis meses e antes da implementação do plano", disse ele, segundo a agência de notícias semioficial Fars.

Ele também reiterou que o Irã poderia fechar o Estreito de Ormuz.

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