Ultranacionalista deixa governo israelense contra acordo de paz

Lieberman é contra negociações com palestinos; medida pode influenciar coalizão governista do premiê Olmert

Efe,

16 de janeiro de 2008 | 07h59

O líder do partido ultranacionalista Israel Beiteinu (Israel é nossa casa), Avigdor Lieberman, anunciou nesta quarta-feira, 16, a saída da coalizão de governo por se opor às negociações de paz com os palestinos. "Jamais aceitaremos a fórmula de dois Estados (um israelense e outro palestino) para os dois povos", afirmou. Lieberman advertiu há poucos dias que "toda negociação de questões essenciais ou a retirada de assentamentos judaicos" o obrigaria a deixar o governo. "Avise o primeiro-ministro, Ehud Olmert, da minha decisão, a quem agradeço sua honestidade e abertura, pois nossas divergências não estiveram envolvidas pelas intrigas", afirmou em entrevista coletiva Lieberman, cujo partido conta com onze cadeiras no Parlamento. Na opinião de Lieberman, os territórios que Israel conquistou na guerra de 1967 e que são reivindicados pelos palestinos para exercer sua soberania e independência, assim como os assentamentos judaicos e os enclaves ali instalados, não são os obstáculos para a paz. "Toda negociação baseada em uma troca de territórios (palestinos ocupados) em troca da paz é um erro que não posso compreender", acrescentou. O verdadeiro problema de Israel, segundo Lieberman, são os cidadãos árabes do país, que já são 20% dos habitantes, que exigirão a cidadania do futuro Estado palestino e autonomia no território israelense se este país devolver os territórios ocupados.  O governo ainda não reagiu ao anúncio de Lieberman, cujo eleitorado é formado majoritariamente por membros da comunidade de imigrantes procedentes da ex-União Soviética, alinhados tradicionalmente com a direita nacionalista. Com sua retirada da coalizão, Olmert terá a maioria parlamentar reduzida de 78 cadeiras a 67, em um total de 120. Se Lieberman for seguido pelo partido ortodoxo Shas, com doze cadeiras, a coalizão perderá a minoria, com o apoio de apenas 55 legisladores. Isto pode levar Olmert a renunciar ou a antecipar as eleições. O líder do Partido Shas, Eli Yishai, também anunciou que seus doze legisladores deixarão a coalizão se Olmert se mostrar disposto a ceder os bairros árabes que Israel anexou após a guerra de 1967 para que sirvam como sede do futuro Estado palestino. Olmert, herdeiro político do primeiro-ministro Ariel Sharon, fundador do Partido Kadima (centro), formou o governo com os dois partidos da direita nacionalista, com o Partido Trabalhista e com o dos Aposentados.  O primeiro-ministro se comprometeu há menos de dois meses a retomar as negociações para resolver o conflito com os palestinos na Conferência de Paz de Annapolis (Estados Unidos). As questões mais polêmicas nas negociações são a criação de um Estado palestino junto ao de Israel e a fixação de suas fronteiras; o retorno ou a compensação econômica dos refugiados palestinos da guerra de 1948, e a quem compete a soberania em Jerusalém.

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